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A década do agir pelo desenvolvimento sustentável

A década do agir pelo desenvolvimento sustentável

Davos 2020 foi uma reunião realizada agora no final de janeiro com líderes mundiais governamentais, empresariais, organizações da sociedade civil, organizações multilaterais, dentre outros representantes de todo o mundo.

Este é o chamado Fórum Econômico Mundial, realizada desde 1971 sob a liderança do alemão Klaus Schwab, que mobiliza esta elite para a discussão de várias temáticas, porém, principalmente a economia e como ela influencia os movimentos do mundo, dos governos e das empresas.

Os tópicos, debates, discussões e discursos foram dos mais variados possíveis e podem ser vistos em textos e vídeos no site: https://www.weforum.org/events/world-economic-forum-annual-meeting-2020. Porém, os temas do cuidado com meio ambiente, emergência climática, desigualdade social e desenvolvimento sustentável foram os desafios mais apontados. Um bom exemplo foi a pesquisa de 2019 apresentada no Fórum pela Oxfam, ONG britânica que mostrou que 2 mil bilionários têm mais que o dobro da riqueza do resto dos habitantes do planeta. Questões da Amazônia e das queimadas na Austrália também estiveram na pauta.

Além do encontro de Davos, este começo de ano também contou com uma carta de direcionamento estratégico do CEO da BlackRock, a maior gestora de fundos de investimentos global e que lidera as tendências neste mercado. Esta empresa gerencia cerca de US$ 6,5 trilhões em ativos nos principais mercados no mundo. Nesta carta, o CEO Larry Fink defende a “sustentabilidade como o novo padrão de investimento da BlackRock” e coloca a importância de investir cada vez mais em fundos constituídos com base no ESG (critérios ambientais, sociais e de governança), além de outras mudanças de estratégias tradicionais de investimento. Veja a carta completa: https://www.blackrock.com/br/blackrock-client-letter.

Em uma recente notícia, do começo de fevereiro, a Tesla, empresa de carros elétricos do empreendedor Elon Musk, se tornou a segunda montadora de automóveis mais valiosa do mundo, ultrapassando a Volkswagen. A montadora chegou aos US$ 100 bilhões e agora está atrás somente da montadora japonesa Toyota. Porém, na frente das enormes empresas que lideraram os rankings de empresas mais valiosas nas décadas e séculos passados como Ford, Chevrolet, Mercedes, entre outras.

Será que todos estes movimentos apresentam uma mudança de paradigma?

Parece que sim, pois ainda neste começo de ano também apareceram os novos bilionários dos negócios da economia verde, como os quatro acionistas de uma gigante chinesa de baterias elétricas e um australiano que chegou a um patrimônio líquido de US$ 7 bilhões com a reciclagem. E a demanda pelos hambúrgueres feitos de planta também podem gerar os próximos bilionários como os fundadores das empresas Beyond Meat e a Impossible Food.

Numa apresentação de um executivo da Unilever no Brasil, este colocou que as marcas mais sustentáveis da Unilever, ou seja, aquelas que possuem uma causa na sua estratégia, tiveram um crescimento maior em 2019 do que as marcas tradicionais, e citou exemplos como a Bem & Jerry’s e a Mãe Terra. O desenvolvimento sustentável como causa ou produto, será esta a tendência?

Alguns especialistas dizem que este movimento é um greenwashing do capitalismo tradicional, ou seja, só estão pintando os produtos de verde ou colocando “features” ou diferenciais mais sustentáveis. Que os donos da concentração de renda só estão mudando os produtos. Pior ainda, aquelas marcas e produtos que se aproveitam disso e dobram ou triplicam o preço na gondola do supermercado ou da loja. A Academia também está atenta a este movimento e por meio de estudos e alertam os casos de “ecopornografia”, como o artigo “Natureza à venda: da ecopornografia a um modelo compreensivo de indicadores de greenwashing” dos amigos Erico Pagotto e Marcos Carvalho: http://revistes.ub.edu/index.php/ScriptaNova/article/view/22685.

Sim, temos que ter visão crítica e não aceitar qualquer linda propaganda, porém, temos que incentivar e mobilizar mais empresas para que façam corretamente esta transição e estes produtos. E sempre fiscalizarmos e conferir se é verdade ou Fake News.

Estamos no meio de uma transição de modelos econômicos e de causas, em que algumas startups e empreendimentos já nascem para resolver problemas sociais e ambientais, como os negócios de impacto socioambiental ou negócios sociais. Aliás, tema que a Folha de São Paulo e a Fundação Schwab, do mesmo criador do Fórum Econômico Mundial, premia todo ano os empreendedores sociais. Veja alguns destes empreendedores no site https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/edicoes-anteriores.shtml.

Entramos na era de aplicar as teorias, atividades e pensamentos do desenvolvimento sustentável. Agora é o momento de colocarmos os projetos, empresas, produtos e ações em campo, todos focados nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Temos 10 anos para chegar nas metas 2030 e sermos realmente exponenciais na transformação. Utilizar as tecnologias, a inteligência artificial, a robótica, os drones, a internet das coisas, a indústria 4.0, o cleantech e todos estes nomes modernosos para este movimento.

Como disse Schwab em uma de suas entrevistas: “o que precisamos é uma estrutura ideológica que leve ao desenvolvimento econômico e ao progresso social”. Sempre colocando não só os interesses dos acionistas das grandes empresas, mas também de todos os públicos envolvidos, os stakeholders. Afetando sempre o mínimo ou nada o meio ambiente. Acho que temos inteligência, vontade e potência para isso, falta focarmos agora! O que você acha?

*Marcus Nakagawa é professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. Autor dos livros: Marketing para Ambientes Disruptivos e 101 Dias com Ações Mais Sustentáveis para Mudar o Mundo (Prêmio Jabuti 2019).
www.marcusnakagawa.com

Promoções de começo de ano e o consumo consciente

Promoções de começo de ano e o consumo consciente

Estamos no começo do ano e já foram o Natal, as festas das firmas, os amigos secretos, os presentes da família, o presente do papai Noel, ufa!

Agora começam as promoções de começo de ano das lojas que não conseguiram vender seus produtos durante a Black Friday e o Natal. Tenho alguns amigos que, inclusive, deixam para comprar todos os presentes somente nesta época devido aos descontos.

A Black Friday passou e, segundo o painel da Ebit/ Nielsen, o faturamento no comércio eletrônico do ano passado chegou a R$ 3,2 bilhões, um aumento de 23,6% em relação a 2018. O Natal também teve um crescimento de 9,5% no faturamento nominal em 2019 e foi considerado a melhor desde 2014 de acordo com a Alshop (Associação dos Lojistas de Shopping Centers). Mas será que estamos consumindo muito mais de uma forma mais consciente? Ou estamos somente consumindo? E de quem estamos consumindo?

A ideia aqui não é ir contra ao consumo, mas sim ao consumismo, aquele impulso de comprar sem pensar, sem saber se você tem dinheiro para pagar, sem saber o que fará com o produto ou serviço, mas sim, confirmar se você, realmente, precisa daquele produto naquele momento. Muitas vezes acabamos comprando sem ter o dinheiro na conta, ou ainda, sem precisar efetivamente. Utilizamos como forma de compensar uma frustração ou para realizar uma felicidade momentânea. Tem até aquele “meme”, ou frase que, com certeza, você já escutou: “Você compra o que não precisa, com o dinheiro que você não tem, para impressionar pessoas que você não conhece e não gosta, a fim de tentar ser uma pessoa que você não é.”

Pensar no seu consumo e se planejar, agora para 2020, é o que os consultores e planejadores pessoais financeiros primeiramente falam. Eles ensinam que para você ter uma boa saúde financeira é fundamental combater os seus impulsos consumistas, que muitas vezes acabam até com a sua saúde mental.

Além do financeiro, não podemos esquecer do impacto social e ambiental que você tem a cada compra. Podemos dizer que consumo consciente e mais sustentável é quando você “elege” um produto ou serviço não só pelo preço e pelos atributos funcionais, emocionais e de diferenciação, mas também pelo impacto positivou e/ou negativo que ele está causando pelo meio ambiente e pela sociedade. Não só o produto ou serviço, mas também a empresa que está por trás. E quando analisamos a empresa temos que ter cada vez mais consciência de todo processo de extração, produção e destinação final. O que o pessoal tem chamado de cadeia fechada ou economia circular do produto ou serviço.

Um ótimo documento que trabalha com a educação para o consumo sustentável é o do IDEC, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (http://www.idec.org.br/uploads/publicacoes/publicacoes/Manual_completo.pdf). E o Instituto Akatu de Consumo Consciente possui várias pesquisas mostrando que o brasileiro está aprendendo este comportamento. O último estudo, de 2018, que é o Panorama do Consumo Consciente no Brasil, mostrou que dentro da metodologia de 13 comportamentos analisados, houve um crescimento significativo no segmento de “consumidor iniciante” como eles denominam, de 32% em 2012 para 38% em 2018: (https://www.akatu.org.br/noticia/pesquisa-akatu-2018-traca-panorama-do-consumo-consciente-no-brasil/). E ainda, quem ficou interessado para ver como anda o seu grau de consumo consciente pode testar e ajudar a pesquisa em: http://tcc.akatu.org.br.

Numa pesquisa com 1.200 entrevistados no Brasil, de 2019, realizada pela Ipsos em parceria com a ESPM, Instituto Ayrton Senna e Cause, apresentado no 3º. Fórum Marketing de Causa, que está disponível no site do evento (https://www.forummarketingdecausa.com),   mostrou que a população está atenta à atuação socioambiental das empresas. Mais da metade (58%) está vendo a empresa como cidadã se ela reduzir o seu impacto ambiental, por exemplo, e 41% entende que a empresa tem que também cuidar da sua cadeia de valor, 39% promover campanhas de doação e 39% entendem a empresa como cidadã se ela garantir a não discriminação de raça e gênero.

Ou seja, o consumo consciente e a verificação da empresa está se desenvolvendo no nosso país. E se, depois de todos estes argumentos sobre consumo, mesmo assim você ainda precisar comprar algum presentinho que faltou do ano passado, que tal escolher empresas mais responsavelmente social e ambiental, ou ainda, escolher negócios de impacto positivo? Para isso existem alguns locais para você pesquisar sobre.

Para começar que tal buscar empresas certificadas no Sistema B, ou seja, organizações que têm produtos e serviços que passaram por uma validação de especialistas em impacto socioambiental: (https://sistemab.org/empresas-b-america-latina/?fwp_presencia=brasil).

Um trabalho muito bacana foi a curadoria da Change For Good que fez um catálogo Gift Guide 2020, que coloca produtos e serviços mais sustentáveis dentro de categorias: infantil, feminina, masculina, geral, serviços, experiências e uma sessão especial para amigos secreto. Tem até alguns descontos, vale à pena dar uma olhada: (http://atuacaonomundo.com.br/2019/11/25/gift-guide-2020/).

Para produtos mais tradicionais com uma “pegada” mais ambiental, até o grande portal Mercado Livre fez uma aba para produtos com impacto positivo que tem desde energia solar, composteiras, alimentos orgânicos, beleza sustentável, consumo de energia mais eficiente, lixo zero – reutilizáveis, entre outros. (https://ofertas.mercadolivre.com.br/produtos-sustentaveis)

Que tal como melhoria para 2020 consumir de uma forma mais sustentável e consciente? Basta mudar nossa mentalidade, pesquisar mais e não sermos “pegos” pelo impulso. Viva mais sustentável, consciente e mais saudável. Bom começo de ano!

Mercenário ou missionário empresarial de uma causa?

Mercenário ou missionário empresarial de uma causa?

Ouvi este termo em um debate que promovemos no evento Soul ESPM 2019, vindo de uma amiga de um negócio de impacto social maravilhoso.

Fui buscar no oráculo dos termos e fontes, e achei um livro, artigos, músicas e afins, mas não muito focados no empresarial e me inspirei para escrever um pouco mais sobre este tema.

Segundo alguns dicionários, mercenário significa aquele que age, serve ou trabalha somente por dinheiro ou por vantagens que lhe são oferecidas; um interesseiro que é movido apenas pelo interesse pessoal e material. No âmbito militar, é aquele que realiza um trabalho a partir de um valor ou salário ajustado; soldado que serve por dinheiro. E para missionário, aquele que se dedica a propagar uma fé religiosa; aquele que propaga uma ideia, um princípio, uma causa etc. com o fim de angariar adeptos. Ainda temos termos como pregador e propagandista; aquele que missiona.

Sobre esta discussão já ouvi muita gente falando em evangelizar para a causa, ou pregar as questões socioambientais. Além do famoso termo que “podemos, ao mesmo tempo, trabalhar para uma causa e ganhar dinheiro”. E nestes vários fóruns, debates e palestras, já ouvi falar, também, que podemos trabalhar para vender, ganhar o lucro da empresa e ajudar os outros. Por outro lado, também já ouvi pessoas falando em vender sabonete ou iogurte com um pouco de crianças necessitadas ou animais abandonados. “Vender a pobreza e a doença junto com os produtos pode ser lucrativo”, esta foi a frase mais impactante que ouvi.

Esta é uma linha tênue? Será que temos a maturidade e casos suficientes para analisar estes tipos de trabalhos, projetos, ações e promoções?

Para as empresas que têm produtos e negócios considerados tradicionais, que não foram diretamente criados para realizar um impacto socioambiental, uma das formas de se trabalhar essa tal de causa é por meio do marketing relacionado à causa ou marketing de causas. A ideia deste conceito é uma aliança entre uma empresa e uma organização da sociedade civil, conhecida também como ONG. Neste caso, haverá um ganha-ganha, utilizando o poder de suas marcas para benefício mútuo. O mais utilizado atualmente é quando uma empresa coloca um produto para vender e doa parte desta venda para uma organização. Um dos casos mais antigos é a famosa campanha Mc Dia Feliz, realizada em agosto e, neste ano, foi sua 31ª edição, ou seja, mais de 30 anos da atividade. Em 2018, foram mais de R$ 24 milhões arrecadados e em 2019 serão beneficiadas 59 instituições apoiadas pelo Instituto Ronald MCDonalds e o Instituto Ayrton Senna. A mecânica é simples, o valor de cada sanduíche Bic Mac, menos os impostos, é arrecadado e doado para essas organizações.

Reforçando este conceito e o uso dele para as empresas, o terceiro estudo de Marketing Relacionado à Causa, lançado em outubro de 2019 pela Ipsos, ESPM, Instituto Ayrton Senna e Cause, mostra que o brasileiro não conhece muito bem este termo, porém, 77% dos 1.200 entrevistados são favoráveis ao termo e 34% das pessoas consultadas disseram ter comprado, nos últimos 12 meses, produtos que destinavam parte de seu valor a causas sociais, culturais ou ambientais. E ainda, 23% afirmaram ter preferido comprar um produto que contribuía para uma causa, em vez do seu concorrente. Ou seja, é uma forma de se trabalhar a marca e apoiar uma causa.

Outro formato é o apoio direto a uma organização ou a um projeto, neste modelo de Investimento de Impacto Social, a empresa Ypê tem feito a parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica e já plantou mais de 850 mil árvores, desde 2007, com o Projeto Floresta Ypê. A empresa tem até um comercial antigo e muito divulgado na TV aberta, falando que novas árvores são plantadas a cada produto comprado. Além de outros projetos que apoia com a Fundação, esta parceria e muita comunicação gerou uma lembrança da marca atrelada ao meio ambiente. A pesquisa Top of Mind 2019, do Datafolha, realizada com 6.618 pessoas de todo o Brasil, em 197 municípios, mostrou que as empresas Ypê e Natura foram lembradas por 5% do público quando o assunto era meio ambiente, a Ypê chegando a 7% no critério desempate devido à margem de erro. É a 13ª vez consecutiva que a Ypê vence, liderando todas as edições da pesquisa nesta categoria, mostrando que o investimento e o ganha-ganha está sendo importante para a marca e para a Fundação.

Mas imaginem criar uma empresa com o cunho socioambiental, ou seja, já criar produtos e serviços que resolvam algum problema da humanidade ou do planeta. Estes são os negócios de impacto social e/ou ambiental. A pesquisa da Pipe Social de 2019, realizada com 1.002 negócios no Brasil, mostrou que essas organizações são novas, pois menos da metade tem mais de cinco anos, só 26% delas, e que 43% ainda não tem faturamento. É um campo novo, porém, já existem referências de empresas que dão certo, como o caso da Boomera. Henrique Brammer foi o campeão do Prêmio Empreendedor Social 2019, parceria da Folha de São Paulo com a Fundação Schwab, mostrando que trabalhar com resíduos – mais conhecidos como lixo, reciclagem, grupos de catadores, aterros sanitários, de uma forma circular e inclusiva socialmente pode ser rentável e, ao mesmo tempo, resolver este grande problema do país.

Lembrando que, numa pesquisa de 2019, feita pelo WWF, o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo e recicla apenas 1%, por exemplo. Outra referência que o Prêmio coloca como Empreendedor Social de Futuro foi a Carambola de Gustavo Glasser, que tem uma história pessoal fantástica de superação contra preconceitos e montou um negócio de T.I. para inserir todos os tipos de pessoas, em um mercado dominado por homens brancos, heterossexuais e de classe média-alta.

Pois é, talvez a questão não seja definir se todos estes casos são de mercenários tentando se “aproveitar” de uma causa ou de missionários usando o sistema atual da mais valia financeira para resolver problemas sociais e ambientais. Neste momento de desenvolvimento e evolução desse tema, talvez seja cedo demais para separar e definir. E, talvez, qualquer conclusão seja muito precoce, bruta ou insipiente.

Talvez o mundo e o nosso querido país precisem atualmente de menos polarização e de mais integração entre conceitos, ideologias, formas de pensar e agir. Principalmente, se o foco é resolver problemas sociais e ambientais.

*Marcus Nakagawa é professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps (Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade); e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. Vencedor do Prêmio Jabuti 2019/Economia Criativa com o livro 101 Dias com Ações Mais Sustentáveis para Mudar o Mundo e co-autor dos livros: Marketing para Ambientes Disruptivos e Nosso mundo: não temos plano B. www.marcusnakagawa.com

Gerando valor com o Marketing de Causas

O marketing é uma palavra que geralmente é associada a todos os tipos de segmentos: marketing de moda, marketing de varejo, marketing automobilístico, marketing B2B; outros ainda utilizam com outros conceitos como marketing de guerrilha, marketing digital, marketing de luxo, marketing verde etc.

Esta palavra acabou se desgastando e aparecendo com a ideia de comunicação, sendo muitas vezes utilizada de forma errada na linguagem popular.

Mas como podemos associar esta palavra com causas?

Gerando valor com o Marketing de Causas Segundo o IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) o marketing relacionado à causas é uma forma de promover alianças estratégicas entre empresas e organizações da sociedade civil (OSCs), estimulando o investimento social e mobilizando consumidores e toda a sociedade a contribuírem com diferentes causas sociais. São ações que as empresas realizam em conjunto com uma ONG, governo ou movimento social para poder ter um ganha-ganha, financeiro e de visibilidade.

Grandes empresas utilizam esta ferramenta para criar um elo emocional juntamente ao seu público-alvo e promover ainda mais o seu movimento de responsabilidade social corporativa. Lógico que este tipo de ferramenta não dá para ser utilizada se a empresa tem um “telhado de vidro” muito fino. Ou seja, fazer lindos projetos de marketing relacionado à causas com grandes e famosas ONGs e não cuidar do básico da sustentabilidade e da responsabilidade social da sua empresa. Sim, estou falando do cuidado com a gestão de resíduos, bom relacionamento com colaboradores, fornecedores, gestão da água, respeito aos direitos humanos, aos direitos trabalhistas, enfim, todos estes indicadores que estas grandes corporações colocam no seu relatório anual de sustentabilidade e/ou responsabilidade social corporativa.

A base do marketing relacionado à causa é que a empresa tenha um mínimo de instrumentos e gestão dos seus ativos e projetos de desenvolvimento sustentável, caso contrário, esta ação será somente uma falsa impressão que poderá ser um processo reverso de comunicação. Com isso, gerará efetivamente um valor para a empresa.
No 3º Fórum de Marketing Relacionado à Causa realizado em outubro de 2019 pela ESPM, Instituto Ayrton Senna, Ipsos e a agência Cause, em São Paulo, foi apresentado um estudo com 1,2 mil brasileiros das classes A, B e C, mostrando que 30% das pessoas já compraram algum produto que doa parte de sua receita para uma causa social, ambiental ou cultural. Enquanto 23% já escolheram uma marca de um produto que ajudava uma causa, em vez do seu concorrente.

Um ótimo exemplo que está no ar é o Sustagem Kids, que agora em outubro, no mês da criança, está destinando o lucro de toda a sua venda para o Instituto Ayrton Senna. E outro, é a Havaianas, cuja linha de sandálias Conservação Internacional, ajuda a vida marinha brasileira, destinando 7% das vendas líquidas para a ONG ambiental de mesmo nome, que desenvolve pesquisas científicas voltadas à conservação dos mares de Abrolhos.

Enfim, a busca pela inovação e geração de valor é uma necessidade diária nos negócios. Juntar este tema com o marketing e as causas é realmente um desafio. Mas quem não gosta de desafios? Ainda mais com objetivo de ajudar a melhorar o mundo e a sociedade?

*Marcus Nakagawa é professor de graduação e MBA da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; autor do livro 101 dias com ações mais sustentáveis para mudar o mundo (finalista do Prêmio Jabuti 2019); e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida.

Sustentabilidade no dia a dia

Um dia estava numa fila de banco e vi um senhor abrindo uma bala. Ele disfarçadamente pegou o papel que envolvia o doce e largou diretamente no chão. Aquilo me subiu os nervos e eu poderia ter feito um escândalo declamando todos os verbos e adjetivos não escritos nos decálogos escolares. Mas simplesmente me aproximei, peguei o papel de bala e afirmei olhando nos seus olhos: “O senhor deixou cair”. Ele totalmente sem graça, com outras pessoas olhando, agradeceu e guardou o papel de bala no bolso. Custava ter feito isso, para depois jogar numa lixeira?

A todo momento estamos reclamando do lixo no nosso entorno, das crianças pedindo nas ruas, da corrupção, da falta de educação, da falta de oportunidades etc. Sempre esperando que um super-herói venha nos salvar, ou ainda, uma personalidade pública e governamental consiga resolver todos os problemas do bairro, ou ainda, seres mitológicos consigam nos encantar para nos unir para fazermos algo.

Pois é, infelizmente tenho que dizer que, para algumas coisas, para não dizer a maioria, a melhoria dependerá de cada um de nós. Se coletivamente fizermos a nossa parte, os nossos deveres como cidadãos, o ambiente que vivemos e a sociedade em que convivemos poderia ser bem melhor. Temos que desenvolver este sentimento coletivo e pela sustentabilidade para evoluirmos como civilização.

Tem muita gente que reclama da corrupção, mas continua dando jeitinhos: furando filas, pagando “facilidades” para ser mais rápido, querendo ser VIP o tempo inteiro.

Ações simples podem ser feitas no nosso dia a dia para a busca da sustentabilidade, assim, listo abaixo algumas delas:

– Gentileza gera gentileza: como a própria frase diz, se fizermos uma gentileza para um, como ceder o banco no ônibus ou deixar alguém passar na nossa frente numa fila, ou algo assim, logo a sua vez também chegará;

– Pratique os 5 R’s – Repensar, Reduzir, Reaproveitar, Reciclar e Recusar: Repense os seus hábitos e atitudes; Reduza a geração de descarte; Reaproveite o que você já tem em casa; Recicle o máximo que você conseguir; e Recuse tudo aquilo que faz mal para o meio ambiente e para as pessoas;

– Seja voluntário: busque uma causa que você goste como cuidar de crianças em situação de risco social, de animais, de idosos, fazer festas beneficentes, ajudar sua comunidade, enfim, faça algo com propósito;
– Doe sangue: uma ação básica, que se você tem esta possibilidade e pode doar, aproveite, pois um dia você pode precisar;

– Ande com uma garrafa de água para não ter que toda hora comprar mais uma garrafa ou utilizar um copo de plástico;

– Plante: escolha uma árvore ou uma planta que mais se adeque à sua região, à sua casa ou ao seu terreno e tenha contato direto com a natureza, entendendo a sua dinâmica.

Essas são algumas das maneiras de colocar a sustentabilidade no dia a dia. Não sabe por onde começar? Não pense, faça. Todo começo é um bom começo. Então, basta dar o primeiro passo para iniciar o seu aprofundamento neste sentimento de cidadania e sustentabilidade. E elevar o nosso processo civilizatório deste lindo planeta.

Os desafios de implementar a sustentabilidade empresarial

O termo sustentabilidade está sendo utilizado de diversas formas por empresas, políticos, professores e produtos. Muitos dizem que o termo é uma moda passageira que os profissionais de mercado estão utilizando para poder vender mais produtos e serviços. E agora também para conseguir votos.

Não acredito que seja algo transitório, mas sim perene, pois é um termo que as pessoas estão incorporando em seus negócios, trabalho, dia a dia, produtos e serviços. Pensar nas suas atitudes hoje para que as demandas atuais e do futuro sejam atendidas, esta é a principal ideia do desenvolvimento sustentável. No caso das empresas, o tema leva em consideração não só o lucro pelo lucro, mas também os impactos sociais e ambientais em todas as suas atitudes.

Mas quais são os desafios de implementar este conceito nas empresas, sejam elas grandes ou pequenas? Nestes anos trabalhando com o tema dentro de grandes corporações, orientando pequenas empresas e dando aulas e palestras, listo abaixo alguns dos principais dilemas que encontro:

1. Não entendimento do assunto: é muito claro que muitas pessoas não entendem a sustentabilidade no seu conceito mais amplo, muitos resumem o tema somente a questões ambientais;

2. Mais custos: muitas empresas acham que o tema é somente mais custos para o processo, produto ou serviço ficar mais caro. Que o investimento é somente para grandes empresas que possuem ações na bolsa de valores;

3. “Perfumaria”: alguns gestores acham que a sustentabilidade é somente algo a mais, ou seja, uma cereja no bolo e não muitas vezes a estrutura básica de um planejamento estratégico ou a base do desenvolvimento de um produto;

4. “Isso é puro marketing”: primeiramente, estes muitas vezes nem entendem o princípio dos estudos mercadológicos, que é muito mais do que o anúncio publicitário, ou seja, o tema sustentabilidade tem que perpassar todas as áreas da empresa;

5. Filantropia: “já fazemos as nossas doações para entidades”, pois tem muita gente que entende que a sustentabilidade é simplesmente doar e acabou. Sem um envolvimento real com a comunidade ou com as organizações ambientais;

6. Greenwashing: utilizar a “lavagem verde” para fingir que o produto é mais sustentável ou anunciar algo assim, induzindo o consumidor ao erro nas práticas ambientais ou nos benefícios ambientais de um produto ou serviço;

7. “As empresas só fazem se acreditar”: escuto muito esta frase dos meus alunos, que me perguntam se a empresa faz porque acredita ou por marketing. Atualmente fazem porque precisam, acreditando ou não.

Obviamente, o ideal é que a empresa supere estes 7 tópicos, além de outros mais que surgem no dia a dia. Numa pesquisa global de responsabilidade social corporativa da Nielsen, de 2014, com mais de 30 mil consumidores, em 60 países, mostrou que mais da metade (55%) dos entrevistados estão dispostos a pagar mais por produtos e serviços de empresas comprometidas com o seu impacto positivo, social e ambiental. Esta resposta aumentou para 50%, em 2012, comparada aos 45%, em 2011.

Pois é, baseados neste estudo e em muitos outros podemos verificar que temos que superar nossos desafios e iniciar rapidamente a implementação do tema na nossa empresa e também no nosso dia a dia.

O que é sustentabilidade?

Você liga a televisão e vê alguns bancos falando que estão de acordo com as questões socioambientais; ou uma grande marca de desodorante comentando que diminuiu a sua embalagem, mas ainda possui a mesma ação do anterior, porém, diminuiu 30% de alumínio extraído do planeta; ou um refrigerante que é feito de pet 100% reciclado; ou ainda uma empresa de software que ajuda crianças vulneráveis socialmente. Mas o que está acontecendo? Na minha época as empresas vendiam os produtos e ponto. Não tinham que salvar o planeta ou as pessoas.

Pois é, isso é o movimento que cada vez mais está aumentando, a tal da sustentabilidade empresarial. Empresas conscientes do seu papel no planeta levando em consideração não somente as questões lucrativas, mas também os temas sociais e os ambientais.

A maioria dos consumidores (e alguns executivos) ainda entendem as questões do desenvolvimento sustentável somente como ações bacanas ambientais, como economizar papel, copos plásticos e reciclagem nos seus escritórios. Porém, é muito mais do que isso, é uma forma de comportamento empresarial com metas e estratégias ligadas ao tripé da sustentabilidade: econômicos, sociais e ambientais.

Este termo do desenvolvimento sustentável apareceu pela primeira vez no encontro da ONU, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1983. Esta comissão foi presidida pela então primeira ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, e gerou em 1987 um documento chamado Nosso Futuro Comum, também conhecido Relatório Brundtland. Este documento mostrou que temos que pensar em conjunto sobre o destino do planeta, ambiental e socialmente falando, entender que os recursos são finitos e que as pessoas têm uma base para seguir que é a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O termo sustentabilidade foi definido e amplamente divulgado a partir deste relatório, sendo como definido como “satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”.

Sim, as empresas fazem parte deste planeta e são o motor do modelo econômico vigente. Não podem achar que este tema é somente “perfumaria” ou ferramenta de marketing barato. Pensar de acordo com o desenvolvimento sustentável é inserir o tema na estratégia e no dia a dia da empresa.

Para ter um mote comum, principalmente com os governos, a ONU desenvolveu os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que são 17, e buscam que todos os setores e as pessoas se unam para combater alguns desafios da moderna sociedade como: acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares; garantir disponibilidade e manejo sustentável da água; garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável; entre outras.

Utópico ou não é só estar atento ao movimento das grandes empresas investindo em pesquisa e produtos como energia limpa, automóveis com combustíveis alternativos, produtos reutilizáveis, serviços colaborativos, enfim, diversas instituições que estão inovando com sustentabilidade. Moda ou necessidade, temos uma certeza: o tema do desenvolvimento sustentável veio para ficar.

Empreendimentos na Economia Verde

Você já se imaginou trabalhando para um negócio que fará parte da próxima tendência econômica? Em um empreendimento que esteja dentro de um dos seis setores mais promissores, sendo que o seu mercado triplicará até 2020 atingindo 2,2 trilhões de dólares, segundo a ONU?

Pois bem, esta é a economia verde, uma iniciativa que foi lançada pelo PNUMA – Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente, em 2008, que visa mobilizar e reorientar a economia para investimentos em tecnologias verdes e infraestrutura natural. Este movimento possui apoio de economistas e tem as seguintes estratégias: valorizar e divulgar os serviços ambientalmente corretos para consumidores; gerar empregos; definir políticas nesse sentido; desenvolver instrumentos e indicativos do mercado capazes de acelerar a transição para uma economia verde. Além de estar totalmente em linha com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, aprovados em setembro de 2015.

Um dos setores que foi colocado na economia verde é a agricultura. Para este setor existe uma expectativa que o mercado mundial dos produtos alimentícios e de bebidas orgânicas duplique nos próximos anos, chegando a 105 bilhões de dólares. Quando o famoso chá Matte Leão, que agora é uma das marcas de bebidas não gaseificadas da Coca-Cola, resolve ter uma linha orgânica é que o nicho pode estar se massificando.

Outro setor é das energias renováveis, como os biocombustíveis, energia eólica, solar fotovoltaica entre outros. Este setor começa a aparecer também no país não só pelo biocombustível da nossa cana de açúcar, mas também as paisagens que já vêm sendo modificadas pelos grandes cata-ventos no nordeste e em outras regiões do país. Além disso, feiras como a Enersolar +Brasil, realizada em São Paulo, vêm ganhando visibilidade e cada ano mais expositores e visitantes.

Um outro setor desta economia é o turismo, principalmente com o ecoturismo, que está crescendo muito no país com agências especializadas e pacotes específicos para a grande massa. Segundo a Organização Mundial do Turismo, enquanto o turismo cresce 7,5% ao ano, o ecoturismo cresce mais de 20%.

A pesca e a aquicultura é também um destes setores quando focados na pesca certificada. Esta pesca já possui uma captura anual de 18 milhões de toneladas de peixes e frutos do mar, cerca de 17% da pesca internacional.

O setor florestal não poderia deixar de estar nesta economia, neste caso, estamos focando naquelas florestas também certificadas e com processos que estejam dentro dos parâmetros mundiais de manejo.

E, por último, a indústria e suas práticas de sustentabilidade para garantir os negócios dentro das cadeias de fornecimento internacional. Neste sentido pode-se observar o aumento de empresas certificadas com a ISO 14.001 referente ao respeito ao meio ambiente. Além do aumento de consultores e o mercado em torno deste tema.

Portanto, existe uma nova economia para aquele empreendedor que quer juntar algumas crenças e valores ambientais com o tipo de negócio que desenvolverá. Este, podemos chamar de empreendedor da economia verde.

7 formas de aplicar a sustentabilidade na pequena empresa

A sustentabilidade começa a desenhar um padrão de funcionamento, plano estratégico e controle nas grandes empresas, nas multinacionais e até em algumas organizações de médio porte. Mas e as micro e pequenas empresas, também podem ser considerada sustentáveis? Onde mudar, trocar ou investir neste tema que tem tantas ações e projetos?

Em uma das pesquisas com este público, intitulada “O que pensam as micro e pequenas empresas sobre sustentabilidade”, o Sebrae mostra que o conhecimento sobre o tema sustentabilidade e meio ambiente é médio, ou seja, 65% do total de 3.912 entrevistados na pesquisa de 2012 disseram conhecer o assunto. Deste total somente 12% declararam entender muito e 25% entendem pouco. Porém, quando questionados sobre qual é o grau de importância que as empresas deveriam atribuir à questão do “meio ambiente”, 75,2% responderam que o tema deve ser de alto grau de importância. Então se o tema tem importância, como trazer o assunto para o dia a dia e modificar alguns “vícios” da gestão antiga?

A pesquisa do Sebrae mostra ainda que quase a metade dos entrevistados (46%) acha que a questão da sustentabilidade representa oportunidade de ganhos para a sua empresa, o que corrobora a necessidade de um entendimento maior sobre o tema. Mas, afinal, como podemos começar a ser mais sustentável na PME?

1. Reveja sua missão e valores para que também tenha os temas social e ambiental, além do financeiro. Tem que ser também o mantra da empresa.

2. Pesquise no seu mercado o que os seus concorrentes estão fazendo. Se não estiverem fazendo nada, busque exemplos fora da sua cidade e fora do país.

3. Planeje as suas ações de melhoria podendo começar com os temas da água, resíduos, energia, gestão das pessoas, comunidade no entorno, entre outros.

4. Entenda como um diferencial competitivo cada ação que você fizer. Faça de verdade e divulgue.

5. Peça retorno e melhore o que você já implementou. Sempre existe a possibilidade da melhoria constante.

6. Insira os temas do desenvolvimento sustentável diretamente no seu produto ou serviço. Busque ajuda de especialistas ou comece a fazer analogias e associações para que os seus produtos e serviços estejam realmente a favor do meio ambiente e da sociedade.

7. Mensure sempre o impacto ambiental e social das suas operações, serviços e produtos. Quanto você está piorando o mundo? Quanto está fazendo mal para as pessoas?

Alguns exemplos podem ser encontrados no site do Centro Sebrae de Sustentabilidade, http://www.sustentabilidade.sebrae.com.br. Este espaço mostra diversas histórias de empreendimentos que foram concebidos ou adaptados para os temas e indicadores que buscam o desenvolvimento sustentável. Como o caso da JS Metalurgia, que reduziu 10% dos custos mensais da empresa, e aumentou 5% do faturamento com práticas sustentáveis, que ainda geram novos produtos.

Existem muitos exemplos, mas se inspirar e sair da inércia do nosso dia a dia para buscar uma real transformação é muito difícil para o ser humano em geral. Porém, estes empreendedores possuem muita energia e isso faz com que eles sejam diferenciados. Focando esta energia para uma atuação transformadora, já é um bom começo. Aceitando e trabalhando com a sustentabilidade como uma nova forma de desafio, é o caminho para a real transformação.

Confiança, empreendedorismo e perenidade

Este primeiro trimestre de 2016 tem sido bem emocionante para quem vive na pele uma crise política, econômica e de valores. Sou de uma geração que viu os pais sofrendo lá atrás com a alta inflação, os cortes financeiros, as quebras de bancos, o bloqueio dos bens e a escassez de produtos. Tempos que, para esta geração que nasceu numa situação estável e com “tudo favorável” (parodiando o rapper), tem muito a aprender.

Como empreendedor, professor, articulista e pai de família, acabo analisando muito esta ecoesfera em que vivemos. Ouvindo e vendo histórias que são as mais diversas neste momento tão especial. As histórias mais comuns que tenho ouvido são as de pessoas que estão perdendo os seus empregos por conta do desaquecimento da economia e do consumo. E muitos começam a pensar em empreender, pois não encontram emprego já que estão numa idade “mais avançada” para o mercado ou porque se especializaram demasiadamente. Tem também aqueles que não querem mais ter chefe e dizem que sempre sonharam em ter seu próprio negócio.

Sim, talvez seja a hora de aflorar aquela vontade de ter o seu próprio CNPJ e alugar uma sala para começar algo. Mas as perguntas que sempre faço são: o que? Para quem? Como? Por que? Onde? Quanto vai custar? Entre outras…Enfim, é uma quantidade enorme de perguntas para que este início seja com muita consciência e certeza. Tem todo um movimento que diz “bota para fazer” e incentiva estes empreendedores a começarem algumas versões do seu negócio. Porém, mesmo dentro deste movimento, existe um mínimo de questionamentos a serem respondidos.

Estes questionamentos geralmente acabam sendo a base para um plano de negócios ou um planejamento estratégico de uma empresa nascedoura. Contudo, em momentos turbulentos como este que estamos passando, para buscar a perenidade desta nova empresa, existe mais um fator que se chama confiança.

Este tema que faz com que as pessoas busquem fazer os seus negócios mais sustentáveis, não só economicamente, mas socialmente responsável e ambientalmente correto. A confiança para com os seus primeiros empregados ou com o seu fornecedor é fundamental neste início.

Esta palavra acaba com relações e com países. Vimos os vários índices de confiança do nosso país sendo rebaixados para as questões econômicas. Estamos vendo empresas internacionais saindo do país e lojas fechando. Um movimento dos líderes políticos ou uma descoberta de mais uma corrupção, faz com que a bolsa caia e o dólar suba.

A confiança de criar um negócio, que mesmo tendo o país em crise, pode prosperar e aumentar ainda mais. A crise pode muitas vezes ser o diferencial para que um empreendimento dê certo.
Por exemplo, nesta crise hídrica na região sudeste do país, as empresas de caixa de água aumentaram muito suas vendas. Ou então, com o aumento das tarifas de energia, as empresas de energias alternativas, como a solar, tiveram a oportunidade de entrar em alguns mercados.

Com certeza, se estas empresas não tivessem esta tal da confiança e não tivessem olhado a crise como uma oportunidade, não teriam tido o mesmo resultado.

Temos muito que aprender com as gerações anteriores de empresários e empreendedores, sem com isso perder a criatividade atual e a confiança no nosso sonho e plano de negócios. A perenidade do seu negócio será apenas o resultado de que tudo está correndo muito bem, obrigado!

Não podemos deixar morrer a confiança neste nosso país.