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Sonho comum

Você já teve um sonho em que vivia num mundo perfeito no qual todas as pessoas eram boas e faziam o que foi prometido? Respeitavam as leis, não jogavam lixo no chão, empresas não poluíam, crianças eram tratadas como crianças e toda tecnologia e inovação era para a felicidade de todas as pessoas (e não somente de 1%) e, também, para não ter impacto na natureza? Pois é, uma visão que muitos têm, mas que acabam ficando no mundo das ideias de Platão, ou ainda num mundo utópico de qualquer filme de ficção científica que jamais concorrerá ao Oscar, por ser demasiado óbvio.

Sim, existem pessoas no mundo inteiro que não somente sonham como também estão trabalhando e atuando para que isso se torne realidade! Ainda digo que, se estas pessoas não forem impedidas, já é um grande começo, pois uma das grandes dificuldades para estes grandes aventureiros e aventureiras da transformação no mundo são aqueles que se dizem seres humanos que, por falta de conhecimento ou por muita vaidade ou egoísmo, atrapalham os processos e projetos.

Pessoas mudando o mundo por meio de trabalho em comunidades carentes ou de um projeto social ou voluntariado corporativo. Ou diretamente nas florestas ou com comunidades tradicionais. Às vezes, dentro das empresas, por meio de melhorias de processos que economizam energia, água ou reutilizam o material. São muitos os movimentos e temas para isso: sustentabilidade empresarial, negócios sociais, negócios de impacto social, responsabilidade social corporativa, gestão de ONGs e fundações, investimento social privado, voluntariado, inovação social, economia verde, economia criativa, economia circular, enfim… Cada vez mais existem novos conceitos que transformam estes sonhos em realidades e projetos e ações em profissões e trabalho voluntário.

O que não dá é para ficar parado só sonhando!

Realmente, a vida real não é simples, temos que ganhar dinheiro para pagar a escola do filho, o aluguel, o supermercado do mês, os nossos estudos… E não para nunca mais… Mas a busca do sonho comum, de um local melhor pode ser planejado e colocado em ação, basta começar buscando mais informações ou mesmo assistindo alguns vídeos na internet.

Um grupo de pessoas se reuniu no final do ano passado, mais especificamente em dezembro, e alinhou alguns sonhos comuns globais. Pois é, foram chamados de objetivos para o desenvolvimento sustentável, uma evolução para todos os seres humanos e a nossa relação com o nosso planeta. Neste evento, em Paris, mesmo depois dos tristes ataques terroristas, a cidade das luzes recebeu com muita honra as 195 nações que assinaram este acordo histórico.

Objetivos como: tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros e resilientes; acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição; proteger, recuperar e promover o uso sustentável das florestas; construir infraestrutura resiliente, promover a industrialização inclusiva; entre outros, totalizando 17 objetivos que fazem parte de todo sonho comum de seres humanos que acreditam numa evolução efetiva de sua espécie. A hora é agora, precisamos nos envolver cada vez mais nas 17 causas, seja de uma forma voluntária, criando ou trabalhando em uma ONG, mudando e transformando a nossa empresa, abrindo uma empresa social que cuide de mudanças sociais, nos engajando na nossa política (que está meio difícil) e liderando movimentos que tragam todos estes sonhos para a realidade. Sou otimista sim, pois acredito sempre no ser humano, vejo isso todos os dias nos meus filhos. Conheça mais sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em www.pnud.org.br/ods. Busque mais informações nas redes sociais e nos canais de vídeo na internet.

Envolva-se, sonhe e realize junto com outras pessoas!

Logística reversa: começo, meio e fim recomeço

Você sabe para onde vai o produto que você consome no final da vida dele?

Todos os dias estamos em contato com centenas de embalagens e produtos que utilizamos: a caixinha de leite, o saquinho do pão, a pasta de dente, o desodorante etc.

O que você faz com todos estes produtos e embalagens? ‘Limpo, separo e depois coloco em um saco e levo em um ponto de coleta de reciclagem ou o caminhão específico passa aqui’. Tomara que esta seja a sua resposta, pois este é um pedaço da logística reversa.

Segundo a lei, logística reversa é um “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”.

Mas o Brasil está indo bem neste tema?

Em alguns tipos de embalagens sim, mas, no geral, ainda não estamos sequer engatinhando. Por exemplo, segundo a Abralatas – Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de alta Reciclabilidade, aproximadamente de 98,4% das latas de alumínio para bebidas estão sendo recicladas, este índice em 1997 era de 64%. Em PET, em 1997 era 16% e em 2012, o número era de 59%.

Conforme estes dados, o nosso país é campeão em reciclagem de latas de alumínio Mas sempre questionamos a forma que estas latas chegam para a reciclagem, muitas vezes por meio de pessoas que estão catando-as na rua, sem proteção, sujeitas a riscos e de uma maneira não muito inclusiva.

Alguns produtos e embalagens precisam ter uma logística reversa obrigatória, segundo a lei, e de forma independente da limpeza urbana, como as pilhas e baterias; agrotóxicos (embalagens e produtos); pneus; óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; e produtos eletroeletrônicos e seus componentes.

Empresas específicas de logística reversa e reciclagem acabaram sendo formadas ou cresceram ainda mais com este movimento. E diversas associações de empresas começaram a se mobilizar para conseguir cumprir as metas e os planos que a lei prevê.

Uma delas é o CEMPRE, Compromisso Empresarial Para Reciclagem, uma associação sem fins lucrativos, formada por empresas de diversos segmentos, que trabalha com promoção da reciclagem dentro do conceito de gerenciamento integrado do lixo, isso desde 1992, antes da Lei.

Ainda estamos no início deste processo de implementação da lei e de mudanças de paradigma. Precisamos de muita educação para que todos os elos da cadeia se responsabilizem por todo o processo da logística reversa.

Portanto, se você é empresário, pense como está sendo o fim do seu produto e como melhorar isso; se você é empreendedor, veja que linda oportunidade para criar soluções inovadoras dentro deste processo; se você é comerciante, veja como ajudar e criar um relacionamento melhor com o seu cliente por meio do recolhimento de embalagens; e se você é consumidor (todos nós somos!), separe o seu lixo, eduque outras pessoas e seja um agente de transformação!

Eleições e cidades sustentáveis

“Você sabia que pode transformar a sua cidade em mais sustentável?”

Calma, este não é um artigo que vai defender um candidato, ou partido, ou ainda fazer você pensar se votou certo. A ideia é refletir que existem vários movimentos para tornar as cidades mais inclusivas, amigáveis, agradáveis, transitáveis, menos impactantes ao meio ambiente, com menos lixo na rua, enfim, um sonho que muitos desejam.

Interessante que, todas as vezes que trocamos ou viajamos para outras cidades, seja no Brasil ou fora dele, conseguimos enxergar coisas boas que não conseguimos ver no nosso dia a dia. Dizem que a grama do vizinho é sempre mais verde, talvez porque cada dia mais estamos vendo o que está do lado de lá, do que do lado de cá. Mais as fotos dos outros nas mídias sociais do que dentro da sua casa.

Na reunião do nosso “condomínio” chamado planeta Terra, em setembro de 2015, os 193 países membros das Organizações das Nações Unidas (ONU) adotaram formalmente os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) com 169 metas para 2030, sendo um destes objetivos referente a Cidades e Comunidades Sustentáveis. Segundo a ONU, seria tornar as cidades e assentamentos humanos inclusivos, resilientes e sustentáveis.

Mas o que seriam estas cidades sustentáveis? Uma parceria da ARCADIS com o Centre for Economic and Business Research (Cebr) lançou em setembro a versão 2016 do Índice de cidades sustentáveis. Por meio de 32 indicadores, os pesquisadores elencaram as 100 cidades globais nas três dimensões da sustentabilidade: planeta, pessoas e prosperidade financeira.

A cidade da Suíça, Zurich ficou no topo da lista com ações bem avançadas como a meta de ter dois mil watts de energia per capita, com investimentos em energias renováveis, prédios com certificações de sustentabilidade, além da mobilidade ser um exemplo para o resto do mundo com todos os tipos de transportes públicos. No topo das 15 mais sustentáveis, estão 13 cidades do velho continente, a Europa.

As cidades asiáticas Singapura (2a do ranking) e Hong Kong (16a) se destacam principalmente pelos índices de prosperidade financeira. São Paulo aparece em 79o, seguido de Buenos Aires e o Rio de Janeiro como 81o com bons índices ligados ao planeta.

Se pegarmos somente um destes indicadores, como os resíduos, existe um movimento que é o Zero Waste, que busca com que as pessoas, empresas e cidades não enviem nenhum lixo para aterro, que aproveitem o máximo reciclando ou ainda fazendo compostagem.

No Brasil, o movimento Lixo Zero é referência pela mobilização e engajamento de alguns grupos empresariais e cidades. Existe uma lista com todas as Zero Waste Municipalities que estão no plano de zerar os seus resíduos, e um bom exemplo é a cidade de Venlo no sul da Holanda. Desde 2006 tem adotado estes princípios de técnicas do “berço ao berço”, ou seja, reutilizar tudo o que é gerado.

Precisamos ficar atentos não só à grama do vizinho, mas como ele deixa a grama verde. Buscar soluções com nossos governantes, e às vezes não só ficar esperando, se juntar aos vizinhos, às ONGs, associações comunitárias e colocar a mão na massa, ou melhor, na Terra.

Dessalinização, ficção ou realidade?

Olho: “Vale a pena tirar o sal do mar para termos mais água?”

Neste fim de semana assisti meio atrasado a nova versão da ficção Mad Max, pois faz tempo que o filme saiu do cinema. Esta história marcou muito a minha adolescência. A violência é igualmente exagerada, o povo é mais macabro e a temática da água continua maravilhosa. Pois é, a falta de água pela falta de florestas é o centro desde o primeiro filme com o tão famoso Mel Gibson. Só tem areia e mais areia o filme inteiro.

Por meio da arte cinematográfica também se aprende o que sofremos nestes últimos meses com uma das maiores crises hídricas das décadas no estado de São Paulo e em outros locais do país. Se não é pelo amor, é pela dor que muitos brasileiros e, principalmente paulistas, começaram a economizar água, tomando banho com um balde ao lado para depois jogar na descarga, ou ainda utilizando água da pouca chuva que cai para regar as plantas.

O sistema de meritocracia tão utilizada no liberalismo imperou também nas contas de água e energia, com “choques” de multas para aqueles que gastavam a mais do que sua cota e “brioches” de descontos para aqueles que economizavam. Para mim este sistema “educacional” devia vir mesmo de uma consciência plural e sistemática que vi e aprendi com batalhadores professores e pais, e inclusive com filmes apocalípticos de pessoas brigando por água como se briga por petróleo hoje em dia.

Temos no país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, cerca de 12% da água potável do mundo. E nas veias subterrâneas temos mais do que o ouro preto que é razão de guerras e invasões imperialistas, existe uma abundância da substância líquida que é a base para a vida no planeta. Alguns especialistas dizem que o Brasil não exporta grãos nem gado, mas sim água em forma de alimentos e carne. Entendeu? Não? Isso mesmo, para exportarmos os alimentos e a carne precisamos de muita água para irrigar, alimentar, gerar energia, etc.

Já ao contrário dos países que por questões geográficas tem em abundancia o líquido mais barato nos dias de hoje para gerar energia, muitas vezes não possuem a água necessária para a sua população. E uma das suas soluções é tirar a água do mar e retirar o sal. Isso chama-se dessalinização. Óbvio que o processo é mais complicado: com a retirada também de micro-organismos, excesso de sais minerais e outras partículas sólidas desta água salobra.

Para fazer este processo pode ser de duas maneiras, a osmose inversa e a destilação térmica. Lembrando das nossas professoras de ciência: a destilação térmica é fazer a água evaporar (transformar de estado líquido para estado gasoso) e depois pegar o vapor de água e condensar (transformar de estado gasoso para líquido) gerando um água “limpa”. E o outro tem a ver com a osmose, que é o deslocamento de um fluído através de uma membrana semipermeável, do meio menos concentrado para o meio mais concentrado, tentando equilibrar a quantidade líquida dos dois meios. A osmose reversa é passar do meio mais concentrado para o meio menos concentrado por meio de bombeamento num fluxo antinatural. Ou seja, a água “foge” do meio mais concentrado para o meio menos sal, deixando-a límpida. Tudo isso com muita energia para ir contra a corrente natural.

Segundo o site do IDA (International Desalination Assossiation), em 2015, existiam cerca de 150 países que praticavam estes processos com mais de 18 mil plantas em operação. Cerca de 300 milhões de pessoas dependem destas “fabricas” de fazer água potável. Grande parte destas plantas realizam o seu processo por meio de geração de energia a base do outro líquido chamado petróleo. O processo acaba gastando muita energia, por isso economicamente é inviável em países com atual abundância de água “doce” ou com problemas financeiros.

No Brasil, está tramitando uma medida para o desenvolvimento de incentivos para estimular a dessalinização de águas marinhas e de fontes salobras subterrâneas que pode fazer parte das diretrizes e objetivos da Lei Federal do Saneamento Básico. A medida está no projeto de lei (PLS 259/2015) aprovado pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) em maio de 2016. Ainda existem vários passos para tornar-se lei passando pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA); pela Câmara e pelo Senado.

O caso mais famoso no Brasil é em Fernando de Noronha que 100% da água dessalinizada é consumida. Mas mesmo assim ainda falta água potável em algumas épocas para a população local e para os turistas. Isso sim é realidade e não ficção.

Temos que começar a investir estudos, recursos e inteligência para continuarmos em total harmonia com este nosso planeta, de uma forma sistêmica, senão só sobrará areia e mais areia como naquele filme de ficção.

Carnaval mais consciente

Uma contradição ou uma nova maneira de pensar?

Este título parece meio dicotômico, pois tenta unir duas palavras que não combinam ou que as pessoas não querem unir. Desde jovem tenho o carnaval como o momento da catarse do brasileiro, de todas as classes, já brinquei muito… No imaginário coletivo (e em muitos lugares do mundo) é o momento mais alegre do povo, no qual todos brincam, todos dançam, todos viajam, todos bebem e beijam. Gosto das estrofes do poeta e músico Gabriel Pensador, que ilustram bem este momento na música Mucama: “[…]Que passa todos os seus meses mal, melhora tudo, no carnaval! Dá pra brincar, dá pra comemorar! Só não se sabe muito bem por quê. Entrou de cara na realidade, na quarta-feira que eu quero ver! […]”

Mas este artigo não é para debater o lado filosófico ou econômico desta grande festa. É para fazer com que as pessoas, empresas, clubes, grandes eventos, enfim, todos os foliões se lembrem dos seus impactos sociais e ambientais também neste momento.

O exemplo mais tangível é o que sobra na quarta-feira de cinzas, os resíduos dos festeiros que não impactam somente o ambiental. No ano passado também foi uma grande preocupação do governo em função das chuvas e por virarem criadouros de mosquitos da dengue e de outras doenças. E aí entra o impacto social, afetando as pessoas diretamente!

No Rio de Janeiro, em 2016, foi implantado o Programa Lixo Zero, que multa as pessoas que jogam lixo fora do lugar. Cerca de duas mil multas foram aplicadas, sendo mais da metade delas pessoas que urinavam em qualquer lugar. Uma ação interessante, pois como diz o ditado popular “se não é no amor, é na dor”. Na dor do bolso, em que as pessoas estão sendo educadas por um valor monetário.

No ano passado, no desfile das escolas de samba de São Paulo, o Camarote Brahma fez uma parceria com o Instituto de Compromisso com o Desenvolvimento Humano (ICDH) e a empresa Boomerong para selecionar e destinar corretamente todos os resíduos dos foliões do Camarote. Segundo os organizadores, cerca de 80% pôde ser reaproveitado e os resíduos recicláveis foram doados à cooperativa de catadores Cooper Reciclável.

Imaginem a quantidade de resíduos que poderiam ser reaproveitados dos carros alegóricos, das lindas roupas de penas e arames, das mega estruturas que foram montadas nos carnavais de ruas de Salvador ou Recife, das fantasias dos bloquinhos em São Paulo e Rio de Janeiro, ou ainda dos desfiles das escolas e batuques no interior do país. Pois é, precisamos pensar nisso.

Precisamos pensar não somente nos impactos ambientais do Carnaval, mas também nos impactos sociais diretos, como mostram as famosas campanhas do uso da camisinha, do abuso do álcool, do assédio (de todos os tipos), enfim. Uma marca de cerveja, no carnaval de 2015, divulgou uma campanha com a frase “esqueci o ‘não’ em casa”. A empresa foi muito criticada nas mídias sociais e teve que retirar os milhares de anúncios espalhados em todas as cidades, acusada de ser um incentivo ao estupro.

Mas do outro lado, a agência de publicidade AlmapBBDO criou para a Antarctica, em 2013, uma campanha que foi muito premiada: Catraca da Boa. Incentivando o folião a ir de metrô para a festa na cidade do Rio de Janeiro, colocou uma catraca na qual, em vez do bilhete, você inseria uma latinha vazia da marca e a catraca era liberada.

Como vocês puderam ler, algumas ações são simples, outras mais complexas, outras mais aspiracionais, não importa, estamos em tempos nos quais não podemos somente ir, temos que refletir e agir. Não quero ser a patrulha dos ecochatos, biodesagradáveis ou social borings (chatos), mas estou desafiando estes grandes pensadores chamados seres humanos a desenvolverem a sua percepção para uma vida coletiva e um desenvolvimento pessoal. Realmente não vivemos sós e sabemos que a ação de uma pessoa interfere na outra. No Carnaval não é diferente! Marcas, produtos e empresas, vamos pensar não só nas vendas, mas também conscientemente neste carnaval? E folião, seja feliz, divirta-se, brinque e desenvolva-se!

Iniciando meu empreendimento mais sustentável

Neste momento específico que o país vem vivenciando uma crise na economia, no mercado e na política é realmente difícil manter a estabilidade financeira e emocional. Ao vermos jornais, revistas e telejornais, percebemos o quanto a situação atual é dramática.

Porém, muitos empreendedores, nesta época, entendem que é na crise que nascem as grandes ideias e as soluções que nunca antes foram pensadas, pois quando o ser humano passa por alguma dificuldade, ele é obrigado a superar ou sucumbirá. Basta consultar a história… de onde veio o leite em pó, a transfusão de sangue, as máquinas mais modernas que salvam vidas nos hospitais etc.

As empresas master franqueadoras estão vendo as suas vendas aumentarem. Muitas pessoas estão pegando o dinheiro de sua rescisão e investindo em um tão sonhado negócio próprio; colegas consultores estão desenvolvendo planos de negócios para muitos pequenos empreendedores que estão cansados de esperar se recolocar no mercado. Já alguns profissionais, mais seniores, estão aproveitando o momento para se pseudo-aposentar e desenvolver algum projeto engavetado há muito tempo, como um projeto social ou um negócio de impacto social.

Tudo parece muito fácil, porém, na vida real, e na visão de quem já é empreendedor há algum tempo, é necessária muita cautela. É preciso ter um bom plano de negócios, bons financiadores, conhecer bem o mercado, o seu produto ou serviço e, mais que tudo, fazer brilhar os seus olhos para aquilo que você está fazendo, obviamente, sem que isso te deixe cego ou no mundo da lua, pois negócio é negócio, tem que ter retorno.

Para ajudar ainda mais, existem muitas incubadoras ligadas às universidades de todos os tamanhos e classes sociais, como a incubadora da ESPM, em São Paulo e em Porto Alegre, que tem colocado vários negócios na rua. Na capital paulista são mais de 50 empresas funcionando graças às orientações e apoio aos empreendedores, feitos por profissionais professores.

No Rio de Janeiro, tive a experiência, em um momento de pré-aceleração do programa Startup Nave, da Estácio, no qual as várias ideias passaram por treinamentos, modelagem de negócios e apresentações. Algumas destas com total ligação aos temas de sustentabilidade e economia colaborativa.

Entre as empresas aceleradas estão o app Bus Online (www.busonline.com.br), que ajuda na mobilidade urbana informando, e o
Risk Life www.risklife.com, um game para profissionais da saúde visando desenvolver a tomada de decisão e o conhecimento no Sistema Manchester, implantado pelo Ministério da Saúde

Uma outra ideia, ligada á economia coletiva, é o Sociedade do Sapato (www.sociedadedosapato.com.br), um site de assinatura de sapatos por locação. E ainda o TáDevolvido (www.tadevolvido.com.br)
um site para aqueles que perdem suas coisas.

Na área específica de negócios sociais existe o Yunus Negócios Sociais Brasil que aceleram iniciativas que buscam fazer mudanças na sociedade. Outra aceleradora para os negócios de impacto social é a Artemísia, que já orientou mais de 50 organizações nos últimos três anos.

Desenvolver o seu negócio com apoio e orientação pode ser uma forma de ter mais chance de sobrevida. Porém, tudo isso dependerá do seu empenho, dedicação e muitas horas de trabalho para conseguir transformar este sonho em realidade. Prepare-se para ser um empreendedor mais sustentável!

7 passos para o Empreendedorismo Social

Você já pensou em montar uma organização na qual o principal objetivo é resolver um dos problemas do mundo? Trabalhar com uma causa social ou ambiental para acelerar o processo de mudança e/ou inspirar outras pessoas para ajudarem neste percurso?

Este é o trabalho de um empreendedor social que busca, por meio de sua organização, realizar atividades juntamente com outros públicos, como governo, empresa e sociedade civil organizada, para transformar uma realidade.

Os empreendimentos sociais estão no mundo exatamente para catalisar este processo e o desenvolvimento de novos modelos de negócios e projetos pilotos que depois virarão políticas públicas.

Conheça 7 passos para iniciar um pensamento em desenvolver uma organização:

1. Problema do mundo
É muito importante entender o problema do mundo que ele tentará resolver, transformar, modificar ou mobilizar pessoas. É necessário estudo e pesquisa para entender as causas e os efeitos que este problema possui.

2. Causa
Com o problema definido, é agora a hora da construção da causa para que outras pessoas se engajem e que faça sentido para possíveis compradores e doadores do tema.

3. Público alvo
Um público principal definido e muito bem pesquisado. Seja ele o público beneficiário ou o público indireto que também será trabalhado pela organização.

4. Lucrativo ou sem fins de lucro
A organização que o empreendedor social está montando poderá ser lucrativa ou não. Se for lucrativa, poderá ser uma empresa de impacto social, dividindo os lucros entre os sócios ou ser uma empresa social que os reinveste na própria organização.

5. Modelo de negócio
Mesmo as organizações sem fins lucrativos precisam de um modelo de negócios que paguem as contas. Para este modelo é necessário ter uma rentabilidade e boa alocação dos recursos. Além de ter muito bem desenvolvido como funcionará a organização para alcançar seu objetivo.

6. Engajamento e comunicação
O engajamento e a comunicação com todos os públicos envolvidos são fundamentais, seja ele o público interno, o público atendido, os governos, a mídia, os investidores etc. Muitas organizações só conseguiram o sucesso graças ao engajamento de todos pela causa.

7. Seja feliz
Se você “recebeu o chamado” para esta empreitada, precisa entender que não é um peso e sim uma oportunidade para ter um real sentido para a sua existência neste planeta. Portanto, seja feliz com esta nova caminhada que, com certeza, será muito mais árdua do que os caminhos tradicionais.

Franquias: cuidar para não multiplicar problemas ambientais e sociais

O título pode ser chamativo, porém, é um alerta para as questões do desenvolvimento sustentável atreladas a este modelo de negócio: o franchising. Principalmente, porque recentemente muitos colegas, clientes e amigos comentaram intensamente, postaram fotos nas redes sociais e fizeram negócios na maior feira de franquias da América Latina.

Segundo a ABF (Associação Brasileira de Franquias), em 2017, a feira reuniu em 4 dias, 65 mil visitantes e 400 marcas do Brasil e do exterior. Isto reforça o importante crescimento do setor, que, segundo a própria ABF, neste primeiro trimestre cresceu nominalmente 9,4%, em época de retomada da econômica.

Ouvi histórias de colegas e alunos que sem emprego, a solução foi investir o Fundo de Garantia em um negócio e nada melhor que empreender numa marca consolidada, com modelo financeiro montado e processos bem definidos. Ou ainda, tiveram uma ideia, desenvolveram um negócio e para crescer, resolveram ser franqueadores e multiplicar o seu negócio. Franquia é um modelo de negócio muito rentável e vitorioso, seja como franqueado ou franqueador, desde que gerido com muito cuidado e dedicação, sem esquecer que sempre, para qualquer negócio, haverá impactos sociais e ambientais negativos.

A ABF tem incentivado a sustentabilidade nas franquias, inclusive, nesta última feira, realizaram novamente o Prêmio ABF Estande Sustentável, que está na sua 7a edição, além de promoverem outros prêmios de sustentabilidade ao longo do ano.

O Sebrae é uma outra fonte de conhecimento para micros e pequenas empresas que pensam em seus impactos sociais e ambientais, principalmente o modelo franquia que pode ser disseminador de boas práticas. No site do Centro Sebrae de Sustentabilidade existem diversos modelos de negócios sustentáveis, práticas e cartilhas para o dia a dia, como o ciclo de vida do produto, gestão de resíduos, água, energia, entre outros.
Fico abismado quando uma empresa de alimentos está crescendo vertiginosamente no formato de franquia e em seu manual não existe nenhuma observação referente à gestão dos resíduos, sejam orgânicos, compostáveis ou recicláveis. Em pleno movimento para a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos no País, uma empresa que tem o poder de multiplicar boas prática não ter uma linha sobre o tema.

Outro ponto é a questão social em que algumas franquias, que se desenvolvem rapidamente, poderiam ir além das normas e regras da CLT. Será que estou sendo ingênuo ou sonhador demais? Poderiam, sim, trabalhar com questões de desenvolvimento pessoal, empreendedorismo e liderança etc. Afinal, se franqueado e franqueador investirem nisso, talvez, realmente o negócio cresça, seja perene e não apenas um local com alto turnover para iniciantes laborais. E, não esqueçamos do poder multiplicador de influenciar fornecedores e distribuidores.

Vale lembrar que alguns negócios já nascem com esta vertente, como as empresas que estão inserindo os orgânicos e a alimentação saudável, que lavam carro quase sem água, negócios sociais que ajudam pessoas, entre outros.

Que o franchising entenda o poder que possui de replicar processos, negócios, marcas, produtos e serviços, e use este “poder especial” de multiplicação para melhorar e mitigar os impactos sociais e ambientais como qualquer negócio. Talvez, até eliminá-los e ser um organismo de regeneração.

Cidades sustentáveis

“Você sabia que pode transformar a sua cidade em mais sustentável?”

Sim, é possível. Existem vários movimentos para tornar as cidades mais inclusivas, amigáveis, agradáveis, transitáveis, menos impactantes ao meio ambiente, com menos lixo na rua, enfim, um sonho que muitos desejam.

Interessante que, todas as vezes que trocamos ou viajamos para outras cidades, seja no Brasil ou fora dele, conseguimos enxergar coisas boas que não conseguimos ver no nosso dia a dia. Dizem que a grama do vizinho é sempre mais verde, talvez porque cada dia mais estamos vendo o que está do lado de lá, do que do lado de cá. Mais as fotos dos outros nas mídias sociais do que dentro da sua casa.

Na reunião do nosso “condomínio” chamado planeta Terra, em setembro de 2015, os 193 países membros das Organizações das Nações Unidas (ONU) adotaram formalmente os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) com 169 metas para 2030, sendo um destes objetivos referente a Cidades e Comunidades Sustentáveis. Segundo a ONU, seria tornar as cidades e assentamentos humanos inclusivos, resilientes e sustentáveis.

Mas o que seriam estas cidades sustentáveis? Uma parceria da ARCADIS com o Centre for Economic and Business Research (Cebr) lançou em setembro a versão 2016 do Índice de cidades sustentáveis. Por meio de 32 indicadores, os pesquisadores elencaram as 100 cidades globais nas três dimensões da sustentabilidade: planeta, pessoas e prosperidade financeira.

A cidade da Suíça, Zurich ficou no topo da lista com ações bem avançadas como a meta de ter dois mil watts de energia per capita, com investimentos em energias renováveis, prédios com certificações de sustentabilidade, além da mobilidade ser um exemplo para o resto do mundo com todos os tipos de transportes públicos. No topo das 15 mais sustentáveis, estão 13 cidades do velho continente, a Europa.

As cidades asiáticas Singapura (2a do ranking) e Hong Kong (16a) se destacam principalmente pelos índices de prosperidade financeira. São Paulo aparece em 79o, seguido de Buenos Aires e o Rio de Janeiro como 81o com bons índices ligados ao planeta.

Se pegarmos somente um destes indicadores, como os resíduos, existe um movimento que é o Zero Waste, que busca com que as pessoas, empresas e cidades não enviem nenhum lixo para aterro, que aproveitem o máximo reciclando ou ainda fazendo compostagem.

No Brasil, o movimento Lixo Zero é referência pela mobilização e engajamento de alguns grupos empresariais e cidades. Existe uma lista com todas as Zero Waste Municipalities que estão no plano de zerar os seus resíduos, e um bom exemplo é a cidade de Venlo no sul da Holanda. Desde 2006 tem adotado estes princípios de técnicas do “berço ao berço”, ou seja, reutilizar tudo o que é gerado.

Precisamos ficar atentos não só à grama do vizinho, mas como ele deixa a grama verde. Buscar soluções com nossos governantes, e às vezes não só ficar esperando, se juntar aos vizinhos, às ONGs, associações comunitárias e colocar a mão na massa, ou melhor, na Terra.

Dia da Terra, temos o que comemorar consumindo ainda mais?

Parabéns, Mãe Terra! Felicidade e muitos milênios de vida!

Vamos comemorar com um presente? Que tal uma festa com balões, muita comida e bebida? Ou um daqueles produtos eletrônicos bem bonitos embrulhado em papel celofane brilhante? É assim que pensamos numa festa, certo?

Pois é, dia 22 de abril foi o dia Internacional da Mãe Terra, reconhecido pela Organização das Nações Unidas em 2009. Porém, foi criado em 1970 pelo senador norte americano Gaylord Nelson para criar consciência sobre as questões de poluição, conservação da biodiversidade, desenvolvimento sustentável e pensarmos no impacto do consumo para o meio ambiente.

Se pensarmos nela como um organismo vivo, temos que entender que existe um organismo que está se multiplicando rápido demais, extraindo os seus minerais, usando sua água, aquecendo seu clima e tirando sua cobertura vegetal.

Este organismo chamado ser humano possui 7,3 bilhões de representantes (em 2015) e pode chegar a 10 bilhões em 2050. O problema é exatamente o crescimento exagerado. Há dois mil anos éramos 300 milhões, em 1800 chegamos ao primeiro bilhão, dois bilhões em 1927, três bilhões em 1959 e quatro em 1974. O problema não é estarmos aqui e sim o que precisamos para estarmos aqui.

Antigamente diziam que precisávamos de ar, água, alimento, moradia e vestimenta, segundo as necessidades fisiológicas da pirâmide de Maslow. Mas fomos “evoluindo” nesta pirâmide, buscando segurança, questões sociais e psicológicas, e agora cada dia mais autorrealização. Se pensarmos em todos os habitantes do planeta, a maioria ainda está buscando as necessidades básicas. Isso mostra o primeiro ponto de repensarmos que seus filhos estão sofrendo e sendo tratados desigualmente em suas necessidades.

Para aqueles que já passaram dos pontos básicos agora estão buscando satisfazer a sua autorrealização. Compram ou consomem para poder mostrar status e poder. O problema disso é que para este produto ou serviço ser feito, utilizará “pedaços” da mãe Terra. Segundo o Global Footprint Network (GFN), os “organismos pensantes” utilizam os recursos existentes da nossa mãe Terra que seriam para o ano inteiro em apenas 8 meses. Ou seja, com o atual ritmo de consumo, a demanda por recursos naturais excede a capacidade de reposição da Terra. Sendo assim, dependendo do seu estilo de vida, precisaremos de 1,5 a 3 planetas para sustentá-los.

Que comemoração mais triste!

Não, a ideia é conscientizar que precisamos repensar o nosso consumo, o nosso jeito de produzir energia, de valorizar o que vale a pena para a nossa autorrealização. Entender que o consumo é necessário, porém, com menos impacto social e ambiental. Necessitamos explicar para as marcas, produtos e serviços que a mãe Terra não vai suportar este modelo atual de captação de recursos naturais e descarte. Entender que para a sobrevivência e perenidade destas empresas, os processos e mentalidade precisam mudar, e que com isso os acionistas poderão ter seus retornos mais sustentáveis do ponto de vista financeiro, ambiental e social.

Vida longa à nossa mãe Terra que sempre nos suportou e nos ajudou a evoluir! E que agora consigamos, com esta evolução, devolver o “cheque especial” que estamos emprestando dela e harmonicamente consumir para as nossas necessidades, sejam elas quais forem.