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Empreendimentos na Economia Verde

Você já se imaginou trabalhando para um negócio que fará parte da próxima tendência econômica? Em um empreendimento que esteja dentro de um dos seis setores mais promissores, sendo que o seu mercado triplicará até 2020 atingindo 2,2 trilhões de dólares, segundo a ONU?

Pois bem, esta é a economia verde, uma iniciativa que foi lançada pelo PNUMA – Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente, em 2008, que visa mobilizar e reorientar a economia para investimentos em tecnologias verdes e infraestrutura natural. Este movimento possui apoio de economistas e tem as seguintes estratégias: valorizar e divulgar os serviços ambientalmente corretos para consumidores; gerar empregos; definir políticas nesse sentido; desenvolver instrumentos e indicativos do mercado capazes de acelerar a transição para uma economia verde. Além de estar totalmente em linha com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, aprovados em setembro de 2015.

Um dos setores que foi colocado na economia verde é a agricultura. Para este setor existe uma expectativa que o mercado mundial dos produtos alimentícios e de bebidas orgânicas duplique nos próximos anos, chegando a 105 bilhões de dólares. Quando o famoso chá Matte Leão, que agora é uma das marcas de bebidas não gaseificadas da Coca-Cola, resolve ter uma linha orgânica é que o nicho pode estar se massificando.

Outro setor é das energias renováveis, como os biocombustíveis, energia eólica, solar fotovoltaica entre outros. Este setor começa a aparecer também no país não só pelo biocombustível da nossa cana de açúcar, mas também as paisagens que já vêm sendo modificadas pelos grandes cata-ventos no nordeste e em outras regiões do país. Além disso, feiras como a Enersolar +Brasil, realizada em São Paulo, vêm ganhando visibilidade e cada ano mais expositores e visitantes.

Um outro setor desta economia é o turismo, principalmente com o ecoturismo, que está crescendo muito no país com agências especializadas e pacotes específicos para a grande massa. Segundo a Organização Mundial do Turismo, enquanto o turismo cresce 7,5% ao ano, o ecoturismo cresce mais de 20%.

A pesca e a aquicultura é também um destes setores quando focados na pesca certificada. Esta pesca já possui uma captura anual de 18 milhões de toneladas de peixes e frutos do mar, cerca de 17% da pesca internacional.

O setor florestal não poderia deixar de estar nesta economia, neste caso, estamos focando naquelas florestas também certificadas e com processos que estejam dentro dos parâmetros mundiais de manejo.

E, por último, a indústria e suas práticas de sustentabilidade para garantir os negócios dentro das cadeias de fornecimento internacional. Neste sentido pode-se observar o aumento de empresas certificadas com a ISO 14.001 referente ao respeito ao meio ambiente. Além do aumento de consultores e o mercado em torno deste tema.

Portanto, existe uma nova economia para aquele empreendedor que quer juntar algumas crenças e valores ambientais com o tipo de negócio que desenvolverá. Este, podemos chamar de empreendedor da economia verde.

7 formas de aplicar a sustentabilidade na pequena empresa

A sustentabilidade começa a desenhar um padrão de funcionamento, plano estratégico e controle nas grandes empresas, nas multinacionais e até em algumas organizações de médio porte. Mas e as micro e pequenas empresas, também podem ser considerada sustentáveis? Onde mudar, trocar ou investir neste tema que tem tantas ações e projetos?

Em uma das pesquisas com este público, intitulada “O que pensam as micro e pequenas empresas sobre sustentabilidade”, o Sebrae mostra que o conhecimento sobre o tema sustentabilidade e meio ambiente é médio, ou seja, 65% do total de 3.912 entrevistados na pesquisa de 2012 disseram conhecer o assunto. Deste total somente 12% declararam entender muito e 25% entendem pouco. Porém, quando questionados sobre qual é o grau de importância que as empresas deveriam atribuir à questão do “meio ambiente”, 75,2% responderam que o tema deve ser de alto grau de importância. Então se o tema tem importância, como trazer o assunto para o dia a dia e modificar alguns “vícios” da gestão antiga?

A pesquisa do Sebrae mostra ainda que quase a metade dos entrevistados (46%) acha que a questão da sustentabilidade representa oportunidade de ganhos para a sua empresa, o que corrobora a necessidade de um entendimento maior sobre o tema. Mas, afinal, como podemos começar a ser mais sustentável na PME?

1. Reveja sua missão e valores para que também tenha os temas social e ambiental, além do financeiro. Tem que ser também o mantra da empresa.

2. Pesquise no seu mercado o que os seus concorrentes estão fazendo. Se não estiverem fazendo nada, busque exemplos fora da sua cidade e fora do país.

3. Planeje as suas ações de melhoria podendo começar com os temas da água, resíduos, energia, gestão das pessoas, comunidade no entorno, entre outros.

4. Entenda como um diferencial competitivo cada ação que você fizer. Faça de verdade e divulgue.

5. Peça retorno e melhore o que você já implementou. Sempre existe a possibilidade da melhoria constante.

6. Insira os temas do desenvolvimento sustentável diretamente no seu produto ou serviço. Busque ajuda de especialistas ou comece a fazer analogias e associações para que os seus produtos e serviços estejam realmente a favor do meio ambiente e da sociedade.

7. Mensure sempre o impacto ambiental e social das suas operações, serviços e produtos. Quanto você está piorando o mundo? Quanto está fazendo mal para as pessoas?

Alguns exemplos podem ser encontrados no site do Centro Sebrae de Sustentabilidade, http://www.sustentabilidade.sebrae.com.br. Este espaço mostra diversas histórias de empreendimentos que foram concebidos ou adaptados para os temas e indicadores que buscam o desenvolvimento sustentável. Como o caso da JS Metalurgia, que reduziu 10% dos custos mensais da empresa, e aumentou 5% do faturamento com práticas sustentáveis, que ainda geram novos produtos.

Existem muitos exemplos, mas se inspirar e sair da inércia do nosso dia a dia para buscar uma real transformação é muito difícil para o ser humano em geral. Porém, estes empreendedores possuem muita energia e isso faz com que eles sejam diferenciados. Focando esta energia para uma atuação transformadora, já é um bom começo. Aceitando e trabalhando com a sustentabilidade como uma nova forma de desafio, é o caminho para a real transformação.

Confiança, empreendedorismo e perenidade

Este primeiro trimestre de 2016 tem sido bem emocionante para quem vive na pele uma crise política, econômica e de valores. Sou de uma geração que viu os pais sofrendo lá atrás com a alta inflação, os cortes financeiros, as quebras de bancos, o bloqueio dos bens e a escassez de produtos. Tempos que, para esta geração que nasceu numa situação estável e com “tudo favorável” (parodiando o rapper), tem muito a aprender.

Como empreendedor, professor, articulista e pai de família, acabo analisando muito esta ecoesfera em que vivemos. Ouvindo e vendo histórias que são as mais diversas neste momento tão especial. As histórias mais comuns que tenho ouvido são as de pessoas que estão perdendo os seus empregos por conta do desaquecimento da economia e do consumo. E muitos começam a pensar em empreender, pois não encontram emprego já que estão numa idade “mais avançada” para o mercado ou porque se especializaram demasiadamente. Tem também aqueles que não querem mais ter chefe e dizem que sempre sonharam em ter seu próprio negócio.

Sim, talvez seja a hora de aflorar aquela vontade de ter o seu próprio CNPJ e alugar uma sala para começar algo. Mas as perguntas que sempre faço são: o que? Para quem? Como? Por que? Onde? Quanto vai custar? Entre outras…Enfim, é uma quantidade enorme de perguntas para que este início seja com muita consciência e certeza. Tem todo um movimento que diz “bota para fazer” e incentiva estes empreendedores a começarem algumas versões do seu negócio. Porém, mesmo dentro deste movimento, existe um mínimo de questionamentos a serem respondidos.

Estes questionamentos geralmente acabam sendo a base para um plano de negócios ou um planejamento estratégico de uma empresa nascedoura. Contudo, em momentos turbulentos como este que estamos passando, para buscar a perenidade desta nova empresa, existe mais um fator que se chama confiança.

Este tema que faz com que as pessoas busquem fazer os seus negócios mais sustentáveis, não só economicamente, mas socialmente responsável e ambientalmente correto. A confiança para com os seus primeiros empregados ou com o seu fornecedor é fundamental neste início.

Esta palavra acaba com relações e com países. Vimos os vários índices de confiança do nosso país sendo rebaixados para as questões econômicas. Estamos vendo empresas internacionais saindo do país e lojas fechando. Um movimento dos líderes políticos ou uma descoberta de mais uma corrupção, faz com que a bolsa caia e o dólar suba.

A confiança de criar um negócio, que mesmo tendo o país em crise, pode prosperar e aumentar ainda mais. A crise pode muitas vezes ser o diferencial para que um empreendimento dê certo.
Por exemplo, nesta crise hídrica na região sudeste do país, as empresas de caixa de água aumentaram muito suas vendas. Ou então, com o aumento das tarifas de energia, as empresas de energias alternativas, como a solar, tiveram a oportunidade de entrar em alguns mercados.

Com certeza, se estas empresas não tivessem esta tal da confiança e não tivessem olhado a crise como uma oportunidade, não teriam tido o mesmo resultado.

Temos muito que aprender com as gerações anteriores de empresários e empreendedores, sem com isso perder a criatividade atual e a confiança no nosso sonho e plano de negócios. A perenidade do seu negócio será apenas o resultado de que tudo está correndo muito bem, obrigado!

Não podemos deixar morrer a confiança neste nosso país.

De dentro para fora, melhorando a si para melhorar a sociedade.

Fico ouvindo o tempo todo que os políticos isso, as empresas aquilo, o meu vizinho isso e a minha família aquilo. Muita gente nas mídias sociais com discursos políticos vazios e tristemente dizendo para não ler ou não assistir mais nada, pois isso desanima, dá uma desesperança.

Em alguns momentos fico pensando em todas estas piadas que nós brasileiros adoramos fazer. Mesmo depois de uma tragédia ou um fato relevante, já existe um meme (piada) nas redes sociais ironizando ou apelando para o humor degradante. Ainda estou descobrindo, mas sempre me disseram que as pessoas têm jeito, que a melhor forma da humanidade sobreviver é vivendo em um coletivo harmônico, não somente entre nós, mas também na nossa relação com a natureza, seus seres, ou seja, o planeta como um todo.

Alguns colegas professores acabam me dizendo que isso é utópico, que como alguns grandes filósofos e sociólogos colocam, o homem é mau por natureza, ou o homem é o lobo do próprio homem, e alguns dizem que o homem nasce bom, mas é a sociedade que o corrompe. Enfim, já também passei por vários momentos em que isso passou pela minha cabeça. Mas ainda tenho fé neste ser que já chegou a 7 bilhões no planeta, sobrevivendo e aumentando a quantidade, mas também evoluindo. Será?

Recentemente passei por uma cirurgia no ombro direito e tudo foi filmado, com uma micro câmera, para o doutor conseguir amarrar de novo o meu tendão chamado manguito rotador. Chegamos em casa e assistimos ao vídeo. Parecia um céu, cheio de nuvens, algodão, e um monte de coisas se mexendo, pouco sangue, mas um céu avermelhado, um planeta novo, Marte talvez. Minha filha perguntou o que eram aquelas nuvens.

Com isso, me inspirei para este artigo. Ou seja, temos um “céu” dentro de nós, com nuvens, planetas, fios ligados à essa base, rios de sangue. Isso por que era só o meu ombro, imaginem o cérebro, os outros órgãos, enfim. Calma, este não é o efeito dos remédios que estou tomando.

A ficha que me caiu foi uma frase que sempre parafraseio nas minhas aulas. Que a mudança está dentro de nós e que podemos fazer de dentro para fora, principalmente, quando falamos em organizações. Parece meio utópico, ou sonhador como dizem alguns colegas professores. Mas o debate sempre é positivo, temos que sempre ter o contraponto para nos questionar e debater, assim evoluindo.

Não temos uma mínima ideia do que temos dentro de nós, física, quimicamente, psicologicamente ou espiritualmente (no sentido mais amplo desta palavra). Ficamos simplesmente criticando o outro, reclamando do entorno, dos políticos, das organizações. Enfim, não temos ideia o que está passando por dentro de nós (literalmente) e estamos aferindo e criticando o outro? Realmente é muito mais fácil, mas será que evoluímos com isso? Nos desenvolvemos com isso? Grandes líderes sempre acabaram na sua grande “iluminação” quando se voltaram para si com muita meditação, questionamentos e reflexões. Líderes de grandes e importantes linhas espirituais.

Descobrir o seu “eu” para depois mobilizar outras pessoas e ir aos poucos mudando a sociedade. Mesmo grandes líderes e empreendedores primeiro tiveram que se afundar em um autoconhecimento para depois criar suas magníficas empresas, produtos e serviços. É só pegar qualquer bibliografia destas pessoas: primeiramente analisa o perfil e depois os negócios dela.

Talvez tenhamos que ficar vendo menos a “grama verde” do vizinho e começar a entender o que se passa na nossa casa. Conhecer mais os “planetas, nuvens e algodões” que temos dentro de nós, no ombro, no coração, no cérebro, enfim, dentro de nós literalmente, ou não literalmente, físico, químico ou psicologicamente. Com pessoas mais atentas, com a sua auto percepção ampliada e super conhecedoras do seu próprio eu, teremos uma forma de sociedade menos alienada, menos controlada, mais crítica, menos focada nas necessidades impostas por alguns, com menos baleias azuis. E, talvez, com mais propósito, mais sonhos, mais vontade de fazer diferente e entendendo que não tem outro jeito de viver em sociedade do que harmonicamente.

Sonho comum

Você já teve um sonho em que vivia num mundo perfeito no qual todas as pessoas eram boas e faziam o que foi prometido? Respeitavam as leis, não jogavam lixo no chão, empresas não poluíam, crianças eram tratadas como crianças e toda tecnologia e inovação era para a felicidade de todas as pessoas (e não somente de 1%) e, também, para não ter impacto na natureza? Pois é, uma visão que muitos têm, mas que acabam ficando no mundo das ideias de Platão, ou ainda num mundo utópico de qualquer filme de ficção científica que jamais concorrerá ao Oscar, por ser demasiado óbvio.

Sim, existem pessoas no mundo inteiro que não somente sonham como também estão trabalhando e atuando para que isso se torne realidade! Ainda digo que, se estas pessoas não forem impedidas, já é um grande começo, pois uma das grandes dificuldades para estes grandes aventureiros e aventureiras da transformação no mundo são aqueles que se dizem seres humanos que, por falta de conhecimento ou por muita vaidade ou egoísmo, atrapalham os processos e projetos.

Pessoas mudando o mundo por meio de trabalho em comunidades carentes ou de um projeto social ou voluntariado corporativo. Ou diretamente nas florestas ou com comunidades tradicionais. Às vezes, dentro das empresas, por meio de melhorias de processos que economizam energia, água ou reutilizam o material. São muitos os movimentos e temas para isso: sustentabilidade empresarial, negócios sociais, negócios de impacto social, responsabilidade social corporativa, gestão de ONGs e fundações, investimento social privado, voluntariado, inovação social, economia verde, economia criativa, economia circular, enfim… Cada vez mais existem novos conceitos que transformam estes sonhos em realidades e projetos e ações em profissões e trabalho voluntário.

O que não dá é para ficar parado só sonhando!

Realmente, a vida real não é simples, temos que ganhar dinheiro para pagar a escola do filho, o aluguel, o supermercado do mês, os nossos estudos… E não para nunca mais… Mas a busca do sonho comum, de um local melhor pode ser planejado e colocado em ação, basta começar buscando mais informações ou mesmo assistindo alguns vídeos na internet.

Um grupo de pessoas se reuniu no final do ano passado, mais especificamente em dezembro, e alinhou alguns sonhos comuns globais. Pois é, foram chamados de objetivos para o desenvolvimento sustentável, uma evolução para todos os seres humanos e a nossa relação com o nosso planeta. Neste evento, em Paris, mesmo depois dos tristes ataques terroristas, a cidade das luzes recebeu com muita honra as 195 nações que assinaram este acordo histórico.

Objetivos como: tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros e resilientes; acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição; proteger, recuperar e promover o uso sustentável das florestas; construir infraestrutura resiliente, promover a industrialização inclusiva; entre outros, totalizando 17 objetivos que fazem parte de todo sonho comum de seres humanos que acreditam numa evolução efetiva de sua espécie. A hora é agora, precisamos nos envolver cada vez mais nas 17 causas, seja de uma forma voluntária, criando ou trabalhando em uma ONG, mudando e transformando a nossa empresa, abrindo uma empresa social que cuide de mudanças sociais, nos engajando na nossa política (que está meio difícil) e liderando movimentos que tragam todos estes sonhos para a realidade. Sou otimista sim, pois acredito sempre no ser humano, vejo isso todos os dias nos meus filhos. Conheça mais sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em www.pnud.org.br/ods. Busque mais informações nas redes sociais e nos canais de vídeo na internet.

Envolva-se, sonhe e realize junto com outras pessoas!

Logística reversa: começo, meio e fim recomeço

Você sabe para onde vai o produto que você consome no final da vida dele?

Todos os dias estamos em contato com centenas de embalagens e produtos que utilizamos: a caixinha de leite, o saquinho do pão, a pasta de dente, o desodorante etc.

O que você faz com todos estes produtos e embalagens? ‘Limpo, separo e depois coloco em um saco e levo em um ponto de coleta de reciclagem ou o caminhão específico passa aqui’. Tomara que esta seja a sua resposta, pois este é um pedaço da logística reversa.

Segundo a lei, logística reversa é um “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”.

Mas o Brasil está indo bem neste tema?

Em alguns tipos de embalagens sim, mas, no geral, ainda não estamos sequer engatinhando. Por exemplo, segundo a Abralatas – Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de alta Reciclabilidade, aproximadamente de 98,4% das latas de alumínio para bebidas estão sendo recicladas, este índice em 1997 era de 64%. Em PET, em 1997 era 16% e em 2012, o número era de 59%.

Conforme estes dados, o nosso país é campeão em reciclagem de latas de alumínio Mas sempre questionamos a forma que estas latas chegam para a reciclagem, muitas vezes por meio de pessoas que estão catando-as na rua, sem proteção, sujeitas a riscos e de uma maneira não muito inclusiva.

Alguns produtos e embalagens precisam ter uma logística reversa obrigatória, segundo a lei, e de forma independente da limpeza urbana, como as pilhas e baterias; agrotóxicos (embalagens e produtos); pneus; óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; e produtos eletroeletrônicos e seus componentes.

Empresas específicas de logística reversa e reciclagem acabaram sendo formadas ou cresceram ainda mais com este movimento. E diversas associações de empresas começaram a se mobilizar para conseguir cumprir as metas e os planos que a lei prevê.

Uma delas é o CEMPRE, Compromisso Empresarial Para Reciclagem, uma associação sem fins lucrativos, formada por empresas de diversos segmentos, que trabalha com promoção da reciclagem dentro do conceito de gerenciamento integrado do lixo, isso desde 1992, antes da Lei.

Ainda estamos no início deste processo de implementação da lei e de mudanças de paradigma. Precisamos de muita educação para que todos os elos da cadeia se responsabilizem por todo o processo da logística reversa.

Portanto, se você é empresário, pense como está sendo o fim do seu produto e como melhorar isso; se você é empreendedor, veja que linda oportunidade para criar soluções inovadoras dentro deste processo; se você é comerciante, veja como ajudar e criar um relacionamento melhor com o seu cliente por meio do recolhimento de embalagens; e se você é consumidor (todos nós somos!), separe o seu lixo, eduque outras pessoas e seja um agente de transformação!

Eleições e cidades sustentáveis

“Você sabia que pode transformar a sua cidade em mais sustentável?”

Calma, este não é um artigo que vai defender um candidato, ou partido, ou ainda fazer você pensar se votou certo. A ideia é refletir que existem vários movimentos para tornar as cidades mais inclusivas, amigáveis, agradáveis, transitáveis, menos impactantes ao meio ambiente, com menos lixo na rua, enfim, um sonho que muitos desejam.

Interessante que, todas as vezes que trocamos ou viajamos para outras cidades, seja no Brasil ou fora dele, conseguimos enxergar coisas boas que não conseguimos ver no nosso dia a dia. Dizem que a grama do vizinho é sempre mais verde, talvez porque cada dia mais estamos vendo o que está do lado de lá, do que do lado de cá. Mais as fotos dos outros nas mídias sociais do que dentro da sua casa.

Na reunião do nosso “condomínio” chamado planeta Terra, em setembro de 2015, os 193 países membros das Organizações das Nações Unidas (ONU) adotaram formalmente os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) com 169 metas para 2030, sendo um destes objetivos referente a Cidades e Comunidades Sustentáveis. Segundo a ONU, seria tornar as cidades e assentamentos humanos inclusivos, resilientes e sustentáveis.

Mas o que seriam estas cidades sustentáveis? Uma parceria da ARCADIS com o Centre for Economic and Business Research (Cebr) lançou em setembro a versão 2016 do Índice de cidades sustentáveis. Por meio de 32 indicadores, os pesquisadores elencaram as 100 cidades globais nas três dimensões da sustentabilidade: planeta, pessoas e prosperidade financeira.

A cidade da Suíça, Zurich ficou no topo da lista com ações bem avançadas como a meta de ter dois mil watts de energia per capita, com investimentos em energias renováveis, prédios com certificações de sustentabilidade, além da mobilidade ser um exemplo para o resto do mundo com todos os tipos de transportes públicos. No topo das 15 mais sustentáveis, estão 13 cidades do velho continente, a Europa.

As cidades asiáticas Singapura (2a do ranking) e Hong Kong (16a) se destacam principalmente pelos índices de prosperidade financeira. São Paulo aparece em 79o, seguido de Buenos Aires e o Rio de Janeiro como 81o com bons índices ligados ao planeta.

Se pegarmos somente um destes indicadores, como os resíduos, existe um movimento que é o Zero Waste, que busca com que as pessoas, empresas e cidades não enviem nenhum lixo para aterro, que aproveitem o máximo reciclando ou ainda fazendo compostagem.

No Brasil, o movimento Lixo Zero é referência pela mobilização e engajamento de alguns grupos empresariais e cidades. Existe uma lista com todas as Zero Waste Municipalities que estão no plano de zerar os seus resíduos, e um bom exemplo é a cidade de Venlo no sul da Holanda. Desde 2006 tem adotado estes princípios de técnicas do “berço ao berço”, ou seja, reutilizar tudo o que é gerado.

Precisamos ficar atentos não só à grama do vizinho, mas como ele deixa a grama verde. Buscar soluções com nossos governantes, e às vezes não só ficar esperando, se juntar aos vizinhos, às ONGs, associações comunitárias e colocar a mão na massa, ou melhor, na Terra.

Dessalinização, ficção ou realidade?

Olho: “Vale a pena tirar o sal do mar para termos mais água?”

Neste fim de semana assisti meio atrasado a nova versão da ficção Mad Max, pois faz tempo que o filme saiu do cinema. Esta história marcou muito a minha adolescência. A violência é igualmente exagerada, o povo é mais macabro e a temática da água continua maravilhosa. Pois é, a falta de água pela falta de florestas é o centro desde o primeiro filme com o tão famoso Mel Gibson. Só tem areia e mais areia o filme inteiro.

Por meio da arte cinematográfica também se aprende o que sofremos nestes últimos meses com uma das maiores crises hídricas das décadas no estado de São Paulo e em outros locais do país. Se não é pelo amor, é pela dor que muitos brasileiros e, principalmente paulistas, começaram a economizar água, tomando banho com um balde ao lado para depois jogar na descarga, ou ainda utilizando água da pouca chuva que cai para regar as plantas.

O sistema de meritocracia tão utilizada no liberalismo imperou também nas contas de água e energia, com “choques” de multas para aqueles que gastavam a mais do que sua cota e “brioches” de descontos para aqueles que economizavam. Para mim este sistema “educacional” devia vir mesmo de uma consciência plural e sistemática que vi e aprendi com batalhadores professores e pais, e inclusive com filmes apocalípticos de pessoas brigando por água como se briga por petróleo hoje em dia.

Temos no país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, cerca de 12% da água potável do mundo. E nas veias subterrâneas temos mais do que o ouro preto que é razão de guerras e invasões imperialistas, existe uma abundância da substância líquida que é a base para a vida no planeta. Alguns especialistas dizem que o Brasil não exporta grãos nem gado, mas sim água em forma de alimentos e carne. Entendeu? Não? Isso mesmo, para exportarmos os alimentos e a carne precisamos de muita água para irrigar, alimentar, gerar energia, etc.

Já ao contrário dos países que por questões geográficas tem em abundancia o líquido mais barato nos dias de hoje para gerar energia, muitas vezes não possuem a água necessária para a sua população. E uma das suas soluções é tirar a água do mar e retirar o sal. Isso chama-se dessalinização. Óbvio que o processo é mais complicado: com a retirada também de micro-organismos, excesso de sais minerais e outras partículas sólidas desta água salobra.

Para fazer este processo pode ser de duas maneiras, a osmose inversa e a destilação térmica. Lembrando das nossas professoras de ciência: a destilação térmica é fazer a água evaporar (transformar de estado líquido para estado gasoso) e depois pegar o vapor de água e condensar (transformar de estado gasoso para líquido) gerando um água “limpa”. E o outro tem a ver com a osmose, que é o deslocamento de um fluído através de uma membrana semipermeável, do meio menos concentrado para o meio mais concentrado, tentando equilibrar a quantidade líquida dos dois meios. A osmose reversa é passar do meio mais concentrado para o meio menos concentrado por meio de bombeamento num fluxo antinatural. Ou seja, a água “foge” do meio mais concentrado para o meio menos sal, deixando-a límpida. Tudo isso com muita energia para ir contra a corrente natural.

Segundo o site do IDA (International Desalination Assossiation), em 2015, existiam cerca de 150 países que praticavam estes processos com mais de 18 mil plantas em operação. Cerca de 300 milhões de pessoas dependem destas “fabricas” de fazer água potável. Grande parte destas plantas realizam o seu processo por meio de geração de energia a base do outro líquido chamado petróleo. O processo acaba gastando muita energia, por isso economicamente é inviável em países com atual abundância de água “doce” ou com problemas financeiros.

No Brasil, está tramitando uma medida para o desenvolvimento de incentivos para estimular a dessalinização de águas marinhas e de fontes salobras subterrâneas que pode fazer parte das diretrizes e objetivos da Lei Federal do Saneamento Básico. A medida está no projeto de lei (PLS 259/2015) aprovado pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) em maio de 2016. Ainda existem vários passos para tornar-se lei passando pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA); pela Câmara e pelo Senado.

O caso mais famoso no Brasil é em Fernando de Noronha que 100% da água dessalinizada é consumida. Mas mesmo assim ainda falta água potável em algumas épocas para a população local e para os turistas. Isso sim é realidade e não ficção.

Temos que começar a investir estudos, recursos e inteligência para continuarmos em total harmonia com este nosso planeta, de uma forma sistêmica, senão só sobrará areia e mais areia como naquele filme de ficção.

Carnaval mais consciente

Uma contradição ou uma nova maneira de pensar?

Este título parece meio dicotômico, pois tenta unir duas palavras que não combinam ou que as pessoas não querem unir. Desde jovem tenho o carnaval como o momento da catarse do brasileiro, de todas as classes, já brinquei muito… No imaginário coletivo (e em muitos lugares do mundo) é o momento mais alegre do povo, no qual todos brincam, todos dançam, todos viajam, todos bebem e beijam. Gosto das estrofes do poeta e músico Gabriel Pensador, que ilustram bem este momento na música Mucama: “[…]Que passa todos os seus meses mal, melhora tudo, no carnaval! Dá pra brincar, dá pra comemorar! Só não se sabe muito bem por quê. Entrou de cara na realidade, na quarta-feira que eu quero ver! […]”

Mas este artigo não é para debater o lado filosófico ou econômico desta grande festa. É para fazer com que as pessoas, empresas, clubes, grandes eventos, enfim, todos os foliões se lembrem dos seus impactos sociais e ambientais também neste momento.

O exemplo mais tangível é o que sobra na quarta-feira de cinzas, os resíduos dos festeiros que não impactam somente o ambiental. No ano passado também foi uma grande preocupação do governo em função das chuvas e por virarem criadouros de mosquitos da dengue e de outras doenças. E aí entra o impacto social, afetando as pessoas diretamente!

No Rio de Janeiro, em 2016, foi implantado o Programa Lixo Zero, que multa as pessoas que jogam lixo fora do lugar. Cerca de duas mil multas foram aplicadas, sendo mais da metade delas pessoas que urinavam em qualquer lugar. Uma ação interessante, pois como diz o ditado popular “se não é no amor, é na dor”. Na dor do bolso, em que as pessoas estão sendo educadas por um valor monetário.

No ano passado, no desfile das escolas de samba de São Paulo, o Camarote Brahma fez uma parceria com o Instituto de Compromisso com o Desenvolvimento Humano (ICDH) e a empresa Boomerong para selecionar e destinar corretamente todos os resíduos dos foliões do Camarote. Segundo os organizadores, cerca de 80% pôde ser reaproveitado e os resíduos recicláveis foram doados à cooperativa de catadores Cooper Reciclável.

Imaginem a quantidade de resíduos que poderiam ser reaproveitados dos carros alegóricos, das lindas roupas de penas e arames, das mega estruturas que foram montadas nos carnavais de ruas de Salvador ou Recife, das fantasias dos bloquinhos em São Paulo e Rio de Janeiro, ou ainda dos desfiles das escolas e batuques no interior do país. Pois é, precisamos pensar nisso.

Precisamos pensar não somente nos impactos ambientais do Carnaval, mas também nos impactos sociais diretos, como mostram as famosas campanhas do uso da camisinha, do abuso do álcool, do assédio (de todos os tipos), enfim. Uma marca de cerveja, no carnaval de 2015, divulgou uma campanha com a frase “esqueci o ‘não’ em casa”. A empresa foi muito criticada nas mídias sociais e teve que retirar os milhares de anúncios espalhados em todas as cidades, acusada de ser um incentivo ao estupro.

Mas do outro lado, a agência de publicidade AlmapBBDO criou para a Antarctica, em 2013, uma campanha que foi muito premiada: Catraca da Boa. Incentivando o folião a ir de metrô para a festa na cidade do Rio de Janeiro, colocou uma catraca na qual, em vez do bilhete, você inseria uma latinha vazia da marca e a catraca era liberada.

Como vocês puderam ler, algumas ações são simples, outras mais complexas, outras mais aspiracionais, não importa, estamos em tempos nos quais não podemos somente ir, temos que refletir e agir. Não quero ser a patrulha dos ecochatos, biodesagradáveis ou social borings (chatos), mas estou desafiando estes grandes pensadores chamados seres humanos a desenvolverem a sua percepção para uma vida coletiva e um desenvolvimento pessoal. Realmente não vivemos sós e sabemos que a ação de uma pessoa interfere na outra. No Carnaval não é diferente! Marcas, produtos e empresas, vamos pensar não só nas vendas, mas também conscientemente neste carnaval? E folião, seja feliz, divirta-se, brinque e desenvolva-se!

Iniciando meu empreendimento mais sustentável

Neste momento específico que o país vem vivenciando uma crise na economia, no mercado e na política é realmente difícil manter a estabilidade financeira e emocional. Ao vermos jornais, revistas e telejornais, percebemos o quanto a situação atual é dramática.

Porém, muitos empreendedores, nesta época, entendem que é na crise que nascem as grandes ideias e as soluções que nunca antes foram pensadas, pois quando o ser humano passa por alguma dificuldade, ele é obrigado a superar ou sucumbirá. Basta consultar a história… de onde veio o leite em pó, a transfusão de sangue, as máquinas mais modernas que salvam vidas nos hospitais etc.

As empresas master franqueadoras estão vendo as suas vendas aumentarem. Muitas pessoas estão pegando o dinheiro de sua rescisão e investindo em um tão sonhado negócio próprio; colegas consultores estão desenvolvendo planos de negócios para muitos pequenos empreendedores que estão cansados de esperar se recolocar no mercado. Já alguns profissionais, mais seniores, estão aproveitando o momento para se pseudo-aposentar e desenvolver algum projeto engavetado há muito tempo, como um projeto social ou um negócio de impacto social.

Tudo parece muito fácil, porém, na vida real, e na visão de quem já é empreendedor há algum tempo, é necessária muita cautela. É preciso ter um bom plano de negócios, bons financiadores, conhecer bem o mercado, o seu produto ou serviço e, mais que tudo, fazer brilhar os seus olhos para aquilo que você está fazendo, obviamente, sem que isso te deixe cego ou no mundo da lua, pois negócio é negócio, tem que ter retorno.

Para ajudar ainda mais, existem muitas incubadoras ligadas às universidades de todos os tamanhos e classes sociais, como a incubadora da ESPM, em São Paulo e em Porto Alegre, que tem colocado vários negócios na rua. Na capital paulista são mais de 50 empresas funcionando graças às orientações e apoio aos empreendedores, feitos por profissionais professores.

No Rio de Janeiro, tive a experiência, em um momento de pré-aceleração do programa Startup Nave, da Estácio, no qual as várias ideias passaram por treinamentos, modelagem de negócios e apresentações. Algumas destas com total ligação aos temas de sustentabilidade e economia colaborativa.

Entre as empresas aceleradas estão o app Bus Online (www.busonline.com.br), que ajuda na mobilidade urbana informando, e o
Risk Life www.risklife.com, um game para profissionais da saúde visando desenvolver a tomada de decisão e o conhecimento no Sistema Manchester, implantado pelo Ministério da Saúde

Uma outra ideia, ligada á economia coletiva, é o Sociedade do Sapato (www.sociedadedosapato.com.br), um site de assinatura de sapatos por locação. E ainda o TáDevolvido (www.tadevolvido.com.br)
um site para aqueles que perdem suas coisas.

Na área específica de negócios sociais existe o Yunus Negócios Sociais Brasil que aceleram iniciativas que buscam fazer mudanças na sociedade. Outra aceleradora para os negócios de impacto social é a Artemísia, que já orientou mais de 50 organizações nos últimos três anos.

Desenvolver o seu negócio com apoio e orientação pode ser uma forma de ter mais chance de sobrevida. Porém, tudo isso dependerá do seu empenho, dedicação e muitas horas de trabalho para conseguir transformar este sonho em realidade. Prepare-se para ser um empreendedor mais sustentável!