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O Orçamento 2014 da sua empresa será sustentável?

*Marcus Nakagawa

Quando chegamos próximo ao final de ano sempre é o mesmo processo: luzes e árvores de Natal nas lojas, música especial de final de ano/ano novo nas rádios, cesta de natal para os funcionários, sorteio de amigo secreto, enfim, o típico padrão natalino.

Para os empreendedores fica a correria para fechar o faturamento do ano, comparar com o orçamento planejado no começo do ano (geralmente aprovado em junho) e tentar projetar o ano seguinte. Se este empreendedor tiver uma visão de futuro, já estará fechando negócios ou pré-vendas para o próximo ano.

Porém, com o ano fiscal no final, alguns empreendedores nem pensam em como será o fluxo da sua empresa no próximo ano, pois isso se resolve depois do carnaval. E não podemos esquecer que o ano que vem será atípico devido a Copa do Mundo no país.

Com este panorama, uma das ações de resolução do ano de 2013 é fazer um bom orçamento para o ano que vem. Mas será que conseguiremos fazer o “Budget” – como é chamado em algumas empresas – a tempo de dar férias coletivas de natal e começo de ano para os funcionários?

O que não é padrão é levar em consideração os outros pilares do tripé da sustentabilidade neste orçamento financeiro. Um orçamento sustentável não é somente pensando do lado econômico. Sabemos que muitos empreendedores também nem fazem o tal do budget financeiro, imagina então buscar bases para o planejamento de ações e atividades relacionado ao desenvolvimento sustentável.

Para 2014, a estimativa de expansão da economia brasileira caiu de 2,13% para 2,11%, segundo a pesquisa Focus de 11 de novembro de 2013. A previsão de crescimento da economia brasileira em 2013 se manteve em 2,50%. Ou seja, não estão prevendo um grande crescimento na economia como um todo, então imagina este empreendedor, sem planos financeiros para 2014, como estará preparado para as decisões mais importantes?

Entrar no ano sem um mínimo planejamento é quase suicídio, pois sem os indicadores de performance e financeiros fica complicado. E com toda esta perspectiva, ainda estamos discutindo a possibilidade de colocarmos as questões sociais e ambientais neste planejamento?

Sim, para garantir uma efetividade do tão buscado desenvolvimento sustentável é necessário colocar todas as ações ligadas ao social e ao meio ambiente também no orçamento 2014. E com isso, conseguiremos verificar o grau de evolução do tema dentro da empresa, sendo ele mais pontual, constante ou mais estratégico, entenda-se neste caso efetivamente ligado ao negócios e produto da empresa. Assim, no tão famoso budget, a sustentabilidade pode aparecer como uma despesa de doação, investimento social privado, algo ligado ao marketing, ou ainda um investimento relacionado a melhorias de processo ambientais ou desenvolvimento de produto e negócios sustentáveis. Esta verba alocada ainda pode estar em vários departamentos, como marketing, comunicação corporativa, RH, departamento de sustentabilidade ou ainda dentro da própria presidência. O valor ainda pode estar pulverizado em várias áreas com várias atividades e projetos.

Seja qual a forma, qual a rubrica, quais os valores, se está pulverizado ou não, o importante é mensurar a quantidade de investimentos necessários, os devidos fins, processos e controles. Ter um orçamento mais próximo do real e colocando a sustentabilidade neste instrumento também, neste caso, em formato de investimentos. E com isso tirar o conceito dos lindos comerciais e relatórios de sustentabilidade para a prática do dia a dia.

*Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor, professor da ESPM e idealizador e presidente do conselho deliberativo da Abraps e palestrante em educação para sustentabilidade empresarial (marcus@isetor.com.br).

Micro e pequenas empresas mais sustentáveis. É possível?

*Marcus Nakagawa

A sustentabilidade começa a determinar um padrão de funcionamento, desenho estratégico e controle nas grandes empresas, nas multinacionais e até em algumas empresas de médio porte. Porém, as micros e pequenas também podem ser consideradas sustentáveis? Onde mudar, quando trocar ou investir neste tema, que envolve tantas ações e projetos?

Atualmente, a área das micro e pequenas empresas – MPEs possui cerca de 12 milhões de potenciais empresários com negócios e contrata 15,6 milhões de pessoas com carteiras assinadas, conforme o Boletim Estudos e Pesquisa do Sebrae, de julho de 2013. O documento ainda mostra que a taxa de sobrevivência de empresas com até dois anos passou de 73,6%; nas criadas em 2005, para 75,6%, nas criadas em 2007. A taxa de sobrevivência é maior na indústria (79,9%) e na região Sudeste (78,2%).

Mas será que sobreviver ao tempo é o único indicador de sustentabilidade, uma vez que a empresa está se custeando financeiramente? Em uma pesquisa com este público, o Sebrae mostra que o conhecimento sobre o tema sustentabilidade e meio ambiente é médio, ou seja, de um universo de 3.912 entrevistados na pesquisa do ano passado, 65% pensam em sustentabilidade nas MPEs.

Por outro lado, deste total somente 12% declaram entender muito sobre o assunto e 25% entendem pouco. Mas quando questionados sobre qual é o grau de importância que as empresas deveriam atribuir à questão do “meio ambiente”, 75,2% respondem que deve ser de alta importância.

Então se o tema tem importância, como trazer o assunto para o dia a dia e modificar alguns “vícios” da gestão antiga? O Instituto Ethos e o Sebrae, em conjunto, criaram os indicadores de responsabilidade social empresarial para micro e pequenas empresas, que servem como um diagnóstico de autoanálise do empreendimento. Respondendo as perguntas sugeridas no documento e buscando as informações quantitativas para as comparações anuais, as MPEs terão um panorama dos pontos a melhorar e a visão de projetos a serem desenvolvidos.

Mas sabemos que não é tão simples assim. Na vida real, este empreendedor tem real consciência de que precisa arranjar tempo dentro do seu dia atribulado para responder, pensar e modificar as suas ações mais sustentáveis.

No entanto, se este empreendedor realmente entender que o tema da sustentabilidade inserido no seu cotidiano não está somente atribuído às vertentes sociais e ambientais, mas que a questão financeira é essencial, valorizará ainda mais o tema. A pesquisa do Sebrae ainda mostra que quase a metade dos entrevistados (46%) acha que a questão da sustentabilidade representa oportunidade de ganhos para a sua empresa, o que corrobora a necessidade de um entendimento maior sobre o tema.

Um caso que ficou famoso é de uma pequena fornecedora de um grande banco que passou por uma capacitação sobre o tema e resolveu abraçar a causa. A empreendedora, dona de uma empresa de motoboys, resolveu melhorar o seu indicador social no que se refere a público interno e começou a conceder benefícios de saúde e qualidade de vida aos seus funcionários. Além de registrar oficialmente toda a sua frota de portadores. Isso fez com que o seu turnover diminuísse, reduzisse as dispensas médicas, o absenteísmo e a empresa começou a ter melhor rentabilidade financeira. Com isso, começou a pegar mais serviços com outros clientes que valorizavam a questão da sustentabilidade e que também ficaram satisfeitos com a diminuição de possíveis riscos sociais e trabalhistas.

Outra maneira desta MPE ser mais sustentável é ela já nascer com este fator nos seu DNA ou no seu produto e/ou serviço. O painel de práticas iniciativas sustentáveis do Centro Sebrae de Sustentabilidade, http://www.sustentabilidade.sebrae.com.br, mostra diversas histórias de empreendimentos que foram concebidos ou adaptados para os temas e indicadores que buscam o desenvolvimento sustentável. Como o caso da JS Metalurgia que reduziu 10% dos custos mensais da empresa e aumentou 5% do faturamento com práticas sustentáveis, que ainda geram novos produtos. Ou o caso do Restaurante de Vilhena, em Rondônia, que transforma resíduos alimentares em adubo orgânico para ser usado na plantação de hortaliças e legumes. E, além disso, educa o cliente sobre o consumo consciente, cobrando menos de quem não deixa sobras nos pratos.

Existem muitos exemplos, mas se inspirar e sair da inércia do nosso dia a dia para buscar uma real transformação é muito difícil para o ser humano em geral. Porém, estes empreendedores possuem muita energia e isso faz com que eles tenham destaque. Focando esta energia para uma atuação diferenciada, já é um bom começo e, assim aceitar e trabalhar com sustentabilidade como um novo desafio é o caminho para a real transformação.

*Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor, professor da ESPM e diretor-presidente da Abraps.

Empreendedorismo na economia verde

*Marcus Nakagawa

Você já se imaginou trabalhando para um negócio que fará parte da próxima tendência econômica? Já pensou em um empreendimento que esteja dentro de um dos seis setores mais promissores, sendo que o seu mercado triplicará até 2020 atingindo 2,2 trilhões de dólares, de acordo com a ONU?

Pois bem, esta é a economia verde, uma iniciativa que foi lançada pelo PNUMA – Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente, em 2008, que visa mobilizar e reorientar a economia para investimentos em tecnologias verdes e infraestrutura natural. Este movimento possui apoio de economistas e tem as seguintes estratégias: valorizar e divulgar os serviços ambientalmente corretos para consumidores; gerar de empregos no marco dos empregos; definir políticas nesse sentido; desenvolver instrumentos e indicativos do mercado capazes de acelerar a transição para uma economia verde.

Um dos setores que foi colocado na economia verde é a agricultura. Para este setor existe uma expectativa que o mercado mundial dos produtos alimentícios e de bebidas orgânicas duplique até 2015, chegando a 105 bilhões de dólares. Por exemplo, quando o famoso chá mate Leão, que agora é uma das marcas de bebidas não gaseificadas da Coca-cola, resolve ter uma linha orgânica é que a tendência está se massificando.

Outro setor é das energias renováveis com os biocombustíveis, energia eólica, solar fotovoltaica, entre outros. Esta área começa a aparecer também no nosso país, não só pelo biocombustível da nossa cana de açúcar, mas também as paisagens que já veem sendo modificadas pelos grandes cataventos no nordeste e em outras regiões do país. Além disso, feiras como a Enersolar +Brasil 2013, que aconteceu em julho, em São Paulo, ganha maior visibilidade e, cada ano, mais expositores e visitantes.

Em um outro setor desta economia está o turismo, principalmente o ecoturismo, que está crescendo muito no país, com agência especializadas e pacotes específicos para a grande massa. De acordo com a Organização Mundial do Turismo, enquanto o turismo cresce 7,5% ao ano, o ecoturismo supera os 20%.

A pesca certificada e a aquicultura também estão sob os holofotes, com uma captura anual de 18 milhões de toneladas de peixes e frutos do mar, ou seja, cerca de 17% da pesca internacional.

O setor florestal não poderia deixar de estar nesta economia, fundamentalmente quando falamos em florestas certificadas e com processos que estejam dentro dos parâmetros mundiais de manejo.

E, por último, a indústria e suas práticas de sustentabilidade para garantir os negócios dentro das cadeias de fornecimento internacional. Neste sentido, pode-se observar o aumento de empresas certificadas com a ISO 14.001 referente ao respeito ao meio ambiente. Além do aumento de consultores e o mercado em torno deste tema.

Portanto, existe uma nova economia para aquele empreendedor que quer juntar algumas crenças e valores ambientais com o tipo de negócio que desenvolverá. E ele será o empreendedor da economia verde, que crescerá ainda mais e passará a fazer parte da vida das próximas gerações.

*Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor, professor da ESPM, presidente do conselho deliberativo e idealizador da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade e palestrante sobre estilo de vida sustentável, sustentabilidade e responsabilidade social (marcus@isetor.com.br).

Empreendedores em busca da sustentabilidade

Marcus Nakagawa*

Em outubro, tive a oportunidade de fazer uma palestra em Campo Grande sobre o tema do profissional de sustentabilidade para os alunos da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e outros convidados, que atuam no social e no ambiental na cidade e região.

Como sempre, a troca foi muito rica, porém, mais do que isso, o que me deixou mais realizado foi conhecer, por intermédio de uma ótima profissional especializada em sustentabilidade na região, histórias de pessoas maravilhosas, que estão batalhando por um mundo mais inclusivo, verde, criativo e com mais vida.

O primeiro empreendedor que conheci era uma pessoa muito especial, totalmente conectada com o tempo de hoje e de amanhã. Ele fabrica maquinário para a produção de tijolo, blocos e pisos ecológicos, e desenvolveu um processo que aproveita o lixo para fazer tijolos mais ecológicos ainda. Como? Isso mesmo, fazer tijolos e blocos para construir casas, prédios, galpões, lojas etc. provenientes dos nossos lixos, que atualmente não possuem mais espaços dentro e fora das cidades para o seu descarte.

Entusiasmado, o empreendedor mostrou como faz com que o lixo seja triturado, tratado e vire uma espécie de areia, que segundo ele, é mais resistente que a normal. Com isso, em suas máquinas especiais, a areia que antes era lixo, juntamente com solo e cimento e por meio da prensagem, tomam forma de tijolos ou blocos que se parecem Legos, sem necessitar da queima de combustíveis fósseis. Os tijolos se encaixam e, com uma espécie de cola, vão aderindo entre si.

Talvez isso seja comum na construção, mas tenho que admitir que não conhecia e fiquei impressionado com a rapidez e a possibilidade de não utilizar água e outros produtos que geram mais resíduos. A ideia deste tijolo e bloco ecológico com base no lixo é elaborar projetos com prefeituras que já estão com seus aterros lotados e querem dar uma destinação mais legítima para os seus resíduos e, assim, produzindo tijolos para construção de casas para a sua população.

Obviamente que o custo deste benefício exige um investimento inicial, como todo bom negócio, porém o retorno é muito valioso, garantiu o empreendedor, não só no resultado das construções, mas como também na gestão dos resíduos, além do ganho de moedas políticas com a população, sem esquecer do verdadeiro desenvolvimento sustentável.

O segundo empreendedor que conheci era da Escola Pau Brasil, com o foco em marcenaria, design e empreendedorismo da ONG Gira Solidário, e que tem um espaço amplo com todos os equipamentos do ofício.

Embora não entenda do ofício, fiquei impressionado com a qualidade e a organização. A história não era somente esta, do espaço e dos alunos de classe menos favorecida que tem uma oportunidade de ter um trabalho, mas sim dois empreendedores sociais que deixaram a Suíça, na Europa, para se dedicar a este tipo de projeto e estilo de vida.

Um empreendedor deixou definitivamente as regalias materiais do seu rico país, onde era publicitário, para se dedicar de corpo e alma a uma causa. Já o outro, passava algumas temporadas no Brasil, ensinando os jovens e adolescentes, sem necessariamente falar o português, a conhecerem design, e metodologias de marcenaria.

Só assim mesmo para sair móveis, objetos de decoração e arte que não ficam atrás de nenhuma loja de shopping de decoração. Tudo feito com madeiras reaproveitadas, que são doadas diretamente das empresas, madeireiras e até de casas demolidas. Este material todo segue as regras e normas ambientais, pois segundo os empreendedores, todo o processo começa a partir da origem das madeiras.

O interessante é que os alunos passam três anos no curso e a cada fase, existe uma avaliação e, se for bem sucedido, ganha ferramentas para uma caixa bem grande. A ideia é que no final do curso, após várias avaliações, o aluno já saia com uma caixa com todas as ferramentas para que ele possa realizar o ofício em casa ou em alguma outra marcenaria.

Além disso, alguns alunos após a formatura são chamados para a trabalhos de elaboração de móveis na própria escola e para serem monitores de alunos mais novos. É o ciclo virtuoso acontecendo nos arredores de Campo Grande. O projeto possui apoio de várias empresas, institutos e governo, porém existe sempre a necessidade de mais patrocínio e doações, para que mais jovens sejam atendidos e que as instalações sejam ampliadas.

Por último, tive a oportunidade de conhecer alguns empreendedores que estão dentro da própria Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, em Biologia eque trabalham com arroz selvagem do Pantanal e outras espécies de plantas nativas da região, que são capaz de gerar renda. São professores, doutores, mestres e entusiastas das comunidades ribeirinhas e nativas do nosso querido Pantanal.

Suas atividades vão além de colher e analisar as espécies de plantas e afins, ou seja, são verdadeiros empreendedores mapeando a comunidade e a suas necessidades, trabalho muitas vezes realizado com ONGs como a ONG Ecoa. Neste empolgante trabalho, mapearam os principais produtos que o próprio Pantanal pode oferecer a partir de extração sustentável e responsável.

O que mais impressionou foi o arroz selvagem do Pantanal que só dá uma vez ao ano e são somente dez dias de estiagem para a colheita. Esta é realizada em barcos e um plástico que fica boiando na água. Os ramos do arroz são batidos e os grãos de arroz caem no plástico boiando. Com isso são secos, ensacados e enviado por barco, que demora alguns dias até chegar na cidade mais próxima. Com isso, é trabalhado e vendido a cerca de R$ 80,00 o quilo. Pois é, valor agregado, quase uma raridade como as trufas italianas utilizadas na alta gastronomia.

A Universidade com o ajuda de alguns apoiadores governamentais conseguiu elaborar uma etiqueta para o saco da arroz para ser comercializado. Porém, investir neste tipo de atividade pode ser arriscado, pois se chover na época da colheita, a preparação de um ano inteiro pode vir por água abaixo (literalmente). Os grãos que seriam colhidos acabam caindo no rio e indo embora.

Agora o desafio é elaborar um plano de negócios para o arroz e outros produtos nativos buscarem uma demanda de mercado mais constante e uma venda planejada, fazendo as famílias ribeirinhas terem retorno financeiro. Estes empreendedores buscam agora uma parceria interna na Universidade com outros alunos da administração para pensar num processo de marketing, gestão e produção.

Três maravilhosos casos de empreendedores que estão lutando pelo o desenvolvimento,tomando cuidado com a natureza e com as pessoas envolvidas direta e indiretamente.

Porém, (pois é, sempre tem um porém para que o tema da sustentabilidade atinja uma velocidade mais rápida e seja o verdadeiro padrão no modo de pensar e agir) infelizmente a região possui, na sua maioria, um pensamento em que o status quo é a palavra de ordem, pois a posse da terra ainda é a lei e o poder, e não as ideias inovadoras ou as pessoas. Estas impressões foram passadas por muitas outras pessoas com quem convivi neste dias, além de ter presenciado algumas discussões que mostraram isso claramente.

Empreendedores especiais com ideias geniais, muito sangue, suor e lágrimas que continuam no seu dia a dia “arrebanhando” pessoas para as suas inspirações e crenças. Eles buscam mudanças de paradigmas, estilos de vida e, principalmente, a verdade dos valores pessoais. Tive a honra de conhecer estes e muitos outros fora do eixo Rio – São Paulo, que representados por estes três empreendedores, fizeram com que minha visita ficasse ainda mais rica, minha trilha da vida ainda mais recheada de luz e minha voz muito mais alta para poder gritar e mostrar para os meus alunos, colegas de profissão, amigos e amigas que ainda existe muita gente buscando o tal do desenvolvimento sustentável neste mundo!

*Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor, professor da ESPM, presidente do conselho deliberativo e idealizador da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade e palestrante sobre estilo de vida sustentável, sustentabilidade e responsabilidade social (marcus@isetor.com.br).

Empreendedorismo de negócios sociais, um passo adiante para o desenvolvimento sustentável

*Marcus Nakagawa

Um empreendedor que é movido por altruísmo? E cujo maior desejo é conseguir benefícios que transformem parcela da população ou todo um país, ou que ainda tem como objetivo não o lucro baseado nos resultados financeiros – característica básica do empreendedorismo empresarial – mas o ganho social, a mudança do indivíduo e dos problemas da sociedade onde está inserido. Este é o espírito do empreendedor de negócios sociais que destina parte ou a totalidade do lucro dos seus negócios para a ampliação do público beneficiário da sua empresa social.

No final do mês de maio deste ano tivemos a presença no país de Muhammad Yunus, ganhador do Nobel da Paz, criador do banco Grameen e do conceito de negócio social. Ele considera que existem dois tipos de empresas sociais: o primeiro é o de empresas cujo foco é proporcionar um benefício social, em vez da maximização dos lucros para os proprietários. O segundo tipo funciona de modo bem diferente: são as empresas que visam à maximização dos lucros e pertencem a pessoas pobres ou desprovidas de recursos. Nesse caso, o benefício social consiste no fato de que todos os dividendos e o crescimento do capital social produzido pela empresa servirão para beneficiar os pobres.

Mas vamos entender melhor como isso funciona com base em exemplos de sucesso, mesmo porque, o nosso país também é rico deste tipo de empreendedores. E para mapear isso o Projeto Brasil 27 está buscando um caso de empreendedorismo de negócio social em cada um os estados da federação. Já iniciaram a peregrinação no Sul do país em junho realizando palestras e pesquisas sobre o tema. No site do projeto http://www.projetobrasil27.com.br é possível acompanhar cada passo desta jornada.

Uma organização que está difundindo o tema faz algum tempo é a Artemísia, que possui a Aceleradora de Impacto. O programa deles tem a duração de seis meses e ajuda na formatação do modelo de negócio, acesso a rede de mentores, capacitação da equipe e conexão com investidores, gestores e parceiros. A Artemísia já acelerou, desde 2007, 25 startups de 11 cidades de todo o país. Juntos, esses negócios já receberam mais de R$ 18 milhões em investimentos. Outra organização que também vem trabalhando desde esta época é a NESsT que já conduziu três concursos de negócios sociais no Brasil desde o seu lançamento. Mais de 55 organizações brasileiras se inscreveram para entrar no Portfólio NESsT, e 40 delas foram contempladas para desenvolver um plano de negócios e receber capital semente.

O ICE – Instituto de Cidadania Empresarial é outra organização que vem promovendo a temática e apresenta o conceito de negócios sociais como: empresas que possuem a intenção e o comprometimento de trazer impacto social seja por meio de cadeias híbridas de valor ou no impacto social gerado pelo seu produto/serviço final e que, na maioria dos casos, geram retorno financeiro. Na área da educação, O Yunus ESPM Social Business Centre, fruto da parceria da ESPM com o Yunus Centre, é a primeira organização acadêmica fundada na América Latina que trata sobre o tema. O centro foi criado com o propósito de estimular empresas e indivíduos a refletir sobre modelos de negócio que estabeleçam uma nova relação entre o desenvolvimento social e econômico.

Como podemos verificar, algumas organizações estão estudando os negócios sociais. E neste mundo, cujas mazelas sociais, depredação ambiental e diferenças sociais crescem simultaneamente com a população, é fundamental que este tema seja cada vez mais pauta não só no mundo governamental, mas também no mundo dos negócios.

*Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor, professor da ESPM e diretor-presidente da Abraps.

Mudanças climáticas e o empreendedorismo

*Marcus Nakagawa

Quando falamos em mudanças climáticas, o tema parece estar muito longe do nosso dia a dia de empreendedor. Afinal, não discutimos a todo instante o relatório do IPCC publicado no final de setembro de 2013 em Estocolmo, na Suécia, que mostra as bases científicas mais atualizadas sobre as mudanças climáticas. Neste documento ainda consta que mais de 95% de certeza para confirmar que o homem é o responsável pela metade da elevação média da temperatura entre 1951 e 2010.

Este aumento de temperatura, por sinal está causando enormes danos: afetando áreas com massa de gelo, que veem diminuindo, aumentando o nível dos oceanos, entre outros. No caso do Brasil a região árida pode ficar mais árida e a região Sudeste e Sul pode chover mais ainda. Países que ficam abaixo do mar estão sentindo muito estes centímetros do avanço do mar.

E tudo isso graças à emissão dos gases-estufa que vem de queimadas, desmatamento, uso do combustível fóssil, dos processos industriais, dos processos de consumo, além de inúmeras outras maneiras que estamos intensificando geometricamente.

Mas afinal, o que a sustentabilidade tem a ver com o empreendedorismo? Se estes empreendedores que estão em busca de novos tipos de investimento e investidores entenderem todo este panorama ambiental como uma oportunidade, podem desbravar o caminho da economia verde, ou seja, a economia para investimentos em tecnologias verdes e infraestrutura natural.

Uma das tecnologias que elimina a queima de combustível fóssil (petróleo) é a geração de energia alternativa. No caso da energia eólica, de acordo com as análises da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, o Brasil deve atingir um crescimento de 600% nesta área até 2014 em relação a 2011, com 7 mil megawatts de capacidade instalada.

E mais do que isso há estímulos governamentais e mecanismos de leilões por parte do governo para incentivar ainda mais este tipo de negócio. Estudos do Ministério ainda mostram um potencial eólico de 130 mil megawatts se considerado os geradores de 70 metros de altura; se forem utilizados geradores de 100 metros, o potencial pode dobrar.

Mas há um contraponto nisso tudo. Apesar de a energia solar no Brasil ser muito cara, nós já somos o décimo país no ranking mundial deste tipo de geração, segundo a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento/Departamento Nacional de Aquecimento Solar (Abrava/Dasol). De acordo com a entidade, já temos mais de 200 empresas que trabalham com este tema e o Programa Minha Casa, Minha Vida, de construção de habitações populares pelo governo federal, vem utilizando esta tecnologia para algumas de suas milhares de casas construídas. Muitos estádios estão também estão utilizando esta modalidade para se preparar para uma Copa do Mundo mais sustentável e limpa. Porém, ainda há a necessidade de muito investimento e diminuição na tributação governamental.

Fontes financiadoras como Finep, CNPQ, Sebrae e alguns fundos internacionais veem trabalhando com o foco de pesquisas em energias limpas e estimulando as empresas e pesquisadores a buscarem melhorias e novas tecnologias neste assunto.

Citei somente dois exemplos de mercados na economia verde que estão crescendo e se desenvolvendo. Além destes, existem muitos outros que buscam exatamente uma nova forma de fazer negócios saindo do modelo tradicional e tendo desafios mais difíceis pela frente.

Mas o que precisamos para isso? Empreendedores preparados, audaciosos e motivados para uma real transformação em sua realidade e na realidade do mundo, que é o maior patrimônio da humanidade hoje. Sem cuidados com o meio ambiente, não conseguiremos ter sucesso e empreender em qualquer região do Planeta.

*Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor, professor da ESPM, presidente do conselho deliberativo e idealizador da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade e palestrante sobre estilo de vida sustentável, sustentabilidade e responsabilidade social (marcus@isetor.com.br).

Ano novo, empresa mais sustentável

*Marcus Nakagawa

O ano começou e parece que todos os empreendedores já iniciaram aceleradamente com suas reuniões e articulações. Talvez porque neste ano teremos muito menos dias de trabalho, por conta dos feriados, Copa do Mundo e eleições. Quando percebermos, o final do ano estará próximo.

Para os empreendedores que desejam pensar não somente na sobrevivência imediata do seu negócio, mas também na perenidade, para que um dia, quem sabe, seus filhos possam assumir o seu legado, é importante que planejem os seus passos, não somente pensando financeiramente, mas também nos vetores ambientais e sociais.

Sabemos que no dia a dia temos que ir atrás do faturamento e das vendas, passando pela entrega dos serviços ou dos produtos. Porém, para que a energia da empresa seja renovada neste ano que se inicia, é interessante que haja também o vetor de inovação para a sustentabilidade. Mas afinal o que é isso?

Inovação, segundo Peter Drucker, um dos gurus da administração, é “a atribuição de novas capacidades aos recursos existentes na empresa para gerar riqueza”. Podemos ir além e aproveitar ou otimizar estes recursos com o foco em sustentabilidade. Não gosto muito de fórmulas milagrosas, sete passos disso ou nove jeitos daquilo, pois cada empresa é um ser orgânico diferente do outro e, assim, aquele remédio ou processo milagroso pode dar certo em uma empresa e na outra não. Vamos considerar os pontos abaixo como dicas para o pontapé inicial de discussão dentro da organização.

Primeiramente olhe no entorno e entenda os impactos da sua empresa. No marketing chamamos de análise de macroambiente, mas geralmente a empresa só olha os pontos que afetam ela financeiramente. Acredito que isso seja o básico e, se o seu empreendimento nunca olhou para isso, agora é a hora.

Fora isso é interessante avaliar também os impactos sociais que a sua empresa está realizando nos seus vizinhos, concorrentes, família dos seus funcionários, na família do empreendedor, enfim impactos em todos aqueles que um dia possam influenciar, processar ou fazer um protesto na frente da sua empresa. Estamos falando de análise e gestão de riscos sociais.

Na questão ambiental o ideal é controlar tudo que entra e tudo que sai da empresa. Isso mesmo, veja quais são os insumos que estão utilizando e se eles não podem agredir as pessoas e o meio ambiente. Isso vai desde o material de limpeza, passando pelo insumo do produto final, água, energia, e até a tinta da impressora. É importante também qualificar os resíduos que a sua empresa está emitindo e para onde ele está indo. Controlar o lixo que sai, para onde vai, quem leva, qual o fim dele? Talvez a sua equipe esteja jogando uma parte da sua produção nele e você nem sabe.

Entendendo os impactos, está na hora das melhorias e otimização. E quem sabe transformar este impacto em uma oportunidade de negócio, economia de material, melhoria de processo ou engajamento de funcionários. Assim começamos a inovação.

Mas todo este trabalho não dá para fazer sozinho, é necessário engajar outras pessoas para esta jornada. Quem sabe algum funcionário que gosta do assunto, um amigo que está disponível no mercado, uma ONG vizinha ou até fazer um comitê interno voluntário para que as pessoas participem do processo e se sintam fazendo algo diferente do ano passado.

Assim a energia começa a ser canalizada e renovada com um foco no qual as pessoas busquem um tema que não é somente a segurança financeira que, diga-se de passagem, existe também na empresa concorrente, o dia a dia do trabalho, mas quem sabe, a real importância do uso da nossa inteligência para a manutenção de um planeta em que vivemos e a busca por modelos que não agridam tanto todos os seres que aqui convivem.

*Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor, professor da ESPM, idealizador e presidente do conselho deliberativo da Abraps, e palestrante sobre estilo de vida sustentável, sustentabilidade e responsabilidade social (marcus@isetor.com.br).