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Empreendedor sustentável também precisa descansar!

Quando falamos em sustentabilidade muitos significados estão inseridos neste contexto: meio ambiente, salvar o planeta, onda verde, reciclagem, tripé sustentável, desenvolvimento sustentável, enfim, a sustentabilidade está sendo utilizada em qualquer momento, local, empresa, produto ou frase. Já começamos a sentir um certo desgaste para este termo e usos inadequados para uma palavra que está “na moda”. Depois da COP 21, encontro de 195 países em Paris, em dezembro de 2015, vimos que alguns deles começaram a se comprometer com o tema do aquecimento global e os outros milhares de assuntos referentes ao ambiente. Dizem que este movimento verde não é somente verde, mas também um movimento de pessoas e do planeta.

Sim, este termo é importante e está em voga, mas nunca deve sair da pauta.
A ONU, como exemplo de mobilização para o tema, por meio dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, está buscando 17 tópicos para que as pessoas, governos e empresas possam, até 2030, se unir e vencer problemas referentes à pobreza, fome, desigualdade, degradação, vida na água, energia limpa, entre outros.

Esta é uma luta não somente pelo ambiente, mas também pelo ser humano e a sua convivência com os outros seres vivos neste planeta.

Porém, estes tais de seres pensantes que buscam algo nesta sociedade, precisam aprender a trabalhar inicialmente consigo antes de querer salvar o planeta. Não é frase de autoajuda, mas sim uma máxima que não vemos sendo praticada no dia a dia, talvez somente nos “posts” das mídias sociais: “se você quer mudar ao mundo, antes de tudo comece você esta mudança para o bem”, uma das frases de Gandhi, parte do seu legado ao mundo.

Começar a pensar em você é fundamental! Pensar nas suas próprias mudanças e melhorias, mas não só para ganhar mais dinheiro, poder ou fama, mas sim para ser mais verdadeiro com você mesmo. Fazer o que realmente faz sentido para você com consciência e com “pé no chão”. Não é nenhum artigo do tipo “largue tudo e vá atrás do seu sonho sem pensar”, mas sim “respire fundo, analise o que faz sentido para você, os seus potenciais e sonhos”. E vá em frente! Sempre com muita ética. O mundo agradece e florescerá ainda mais com isso.

Tem muito palestrante, articulista e escritor que escreve vários passo a passo para este encontro consigo mesmo. Leia todos e veja qual faz mais sentido. Se não quiser ler ou assistir a uma palestra, reflita com seus amigos e pessoas que realmente gostem de você. Principalmente um mentor ou alguém que você admira, ou que tenha mais experiência. Veja o estilo de vida dele e avalie se te agrada.

Esta parte da vida não é fácil. Estudar, entender e ter consciência é difícil, pois vivemos numa sociedade na qual temos cada vez menos temos tempo de refletir. Tudo é somente em alguns caracteres, posts, imagens ou três segundos de um frame de filme. Refletir sobre o seu eu para depois ajudar a mudar as coisas no seu entorno, isso ajudará a mudar o mundo.

Ufa! Só de pensar já dá um certo desespero… Coisas de começo de ano. Por isso, é importante que o empreendedor tenha um tempo para si e limpe sua mente. Prepare para ser este empreendedor da sua vida de uma maneira sustentável.

7 passos para o Empreendedorismo Social

Você já pensou em montar uma organização na qual o principal objetivo é resolver um dos problemas do mundo? Trabalhar com uma causa social ou ambiental para acelerar o processo de mudança e/ou inspirar outras pessoas para ajudarem neste percurso?

Este é o trabalho de um empreendedor social que busca, por meio de sua organização, realizar atividades juntamente com outros públicos, como governo, empresa e sociedade civil organizada, para transformar uma realidade.

Os empreendimentos sociais estão no mundo exatamente para catalisar este processo e o desenvolvimento de novos modelos de negócios e projetos pilotos que depois virarão políticas públicas.

Conheça 7 passos para iniciar um pensamento em desenvolver uma organização:

1. Problema do mundo
É muito importante entender o problema do mundo que ele tentará resolver, transformar, modificar ou mobilizar pessoas. É necessário estudo e pesquisa para entender as causas e os efeitos que este problema possui.

2. Causa
Com o problema definido, é agora a hora da construção da causa para que outras pessoas se engajem e que faça sentido para possíveis compradores e doadores do tema.

3. Público alvo
Um público principal definido e muito bem pesquisado. Seja ele o público beneficiário ou o público indireto que também será trabalhado pela organização.

4. Lucrativo ou sem fins de lucro
A organização que o empreendedor social está montando poderá ser lucrativa ou não. Se for lucrativa, poderá ser uma empresa de impacto social, dividindo os lucros entre os sócios ou ser uma empresa social que os reinveste na própria organização.

5. Modelo de negócio
Mesmo as organizações sem fins lucrativos precisam de um modelo de negócios que paguem as contas. Para este modelo é necessário ter uma rentabilidade e boa alocação dos recursos. Além de ter muito bem desenvolvido como funcionará a organização para alcançar seu objetivo.

6. Engajamento e comunicação
O engajamento e a comunicação com todos os públicos envolvidos são fundamentais, seja ele o público interno, o público atendido, os governos, a mídia, os investidores etc. Muitas organizações só conseguiram o sucesso graças ao engajamento de todos pela causa.

7. Seja feliz
Se você “recebeu o chamado” para esta empreitada, precisa entender que não é um peso e sim uma oportunidade para ter um real sentido para a sua existência neste planeta. Portanto, seja feliz com esta nova caminhada que, com certeza, será muito mais árdua do que os caminhos tradicionais.

Franquias: cuidar para não multiplicar problemas ambientais e sociais

O título pode ser chamativo, porém, é um alerta para as questões do desenvolvimento sustentável atreladas a este modelo de negócio: o franchising. Principalmente, porque recentemente muitos colegas, clientes e amigos comentaram intensamente, postaram fotos nas redes sociais e fizeram negócios na maior feira de franquias da América Latina.

Segundo a ABF (Associação Brasileira de Franquias), em 2017, a feira reuniu em 4 dias, 65 mil visitantes e 400 marcas do Brasil e do exterior. Isto reforça o importante crescimento do setor, que, segundo a própria ABF, neste primeiro trimestre cresceu nominalmente 9,4%, em época de retomada da econômica.

Ouvi histórias de colegas e alunos que sem emprego, a solução foi investir o Fundo de Garantia em um negócio e nada melhor que empreender numa marca consolidada, com modelo financeiro montado e processos bem definidos. Ou ainda, tiveram uma ideia, desenvolveram um negócio e para crescer, resolveram ser franqueadores e multiplicar o seu negócio. Franquia é um modelo de negócio muito rentável e vitorioso, seja como franqueado ou franqueador, desde que gerido com muito cuidado e dedicação, sem esquecer que sempre, para qualquer negócio, haverá impactos sociais e ambientais negativos.

A ABF tem incentivado a sustentabilidade nas franquias, inclusive, nesta última feira, realizaram novamente o Prêmio ABF Estande Sustentável, que está na sua 7a edição, além de promoverem outros prêmios de sustentabilidade ao longo do ano.

O Sebrae é uma outra fonte de conhecimento para micros e pequenas empresas que pensam em seus impactos sociais e ambientais, principalmente o modelo franquia que pode ser disseminador de boas práticas. No site do Centro Sebrae de Sustentabilidade existem diversos modelos de negócios sustentáveis, práticas e cartilhas para o dia a dia, como o ciclo de vida do produto, gestão de resíduos, água, energia, entre outros.
Fico abismado quando uma empresa de alimentos está crescendo vertiginosamente no formato de franquia e em seu manual não existe nenhuma observação referente à gestão dos resíduos, sejam orgânicos, compostáveis ou recicláveis. Em pleno movimento para a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos no País, uma empresa que tem o poder de multiplicar boas prática não ter uma linha sobre o tema.

Outro ponto é a questão social em que algumas franquias, que se desenvolvem rapidamente, poderiam ir além das normas e regras da CLT. Será que estou sendo ingênuo ou sonhador demais? Poderiam, sim, trabalhar com questões de desenvolvimento pessoal, empreendedorismo e liderança etc. Afinal, se franqueado e franqueador investirem nisso, talvez, realmente o negócio cresça, seja perene e não apenas um local com alto turnover para iniciantes laborais. E, não esqueçamos do poder multiplicador de influenciar fornecedores e distribuidores.

Vale lembrar que alguns negócios já nascem com esta vertente, como as empresas que estão inserindo os orgânicos e a alimentação saudável, que lavam carro quase sem água, negócios sociais que ajudam pessoas, entre outros.

Que o franchising entenda o poder que possui de replicar processos, negócios, marcas, produtos e serviços, e use este “poder especial” de multiplicação para melhorar e mitigar os impactos sociais e ambientais como qualquer negócio. Talvez, até eliminá-los e ser um organismo de regeneração.

Cidades sustentáveis

“Você sabia que pode transformar a sua cidade em mais sustentável?”

Sim, é possível. Existem vários movimentos para tornar as cidades mais inclusivas, amigáveis, agradáveis, transitáveis, menos impactantes ao meio ambiente, com menos lixo na rua, enfim, um sonho que muitos desejam.

Interessante que, todas as vezes que trocamos ou viajamos para outras cidades, seja no Brasil ou fora dele, conseguimos enxergar coisas boas que não conseguimos ver no nosso dia a dia. Dizem que a grama do vizinho é sempre mais verde, talvez porque cada dia mais estamos vendo o que está do lado de lá, do que do lado de cá. Mais as fotos dos outros nas mídias sociais do que dentro da sua casa.

Na reunião do nosso “condomínio” chamado planeta Terra, em setembro de 2015, os 193 países membros das Organizações das Nações Unidas (ONU) adotaram formalmente os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) com 169 metas para 2030, sendo um destes objetivos referente a Cidades e Comunidades Sustentáveis. Segundo a ONU, seria tornar as cidades e assentamentos humanos inclusivos, resilientes e sustentáveis.

Mas o que seriam estas cidades sustentáveis? Uma parceria da ARCADIS com o Centre for Economic and Business Research (Cebr) lançou em setembro a versão 2016 do Índice de cidades sustentáveis. Por meio de 32 indicadores, os pesquisadores elencaram as 100 cidades globais nas três dimensões da sustentabilidade: planeta, pessoas e prosperidade financeira.

A cidade da Suíça, Zurich ficou no topo da lista com ações bem avançadas como a meta de ter dois mil watts de energia per capita, com investimentos em energias renováveis, prédios com certificações de sustentabilidade, além da mobilidade ser um exemplo para o resto do mundo com todos os tipos de transportes públicos. No topo das 15 mais sustentáveis, estão 13 cidades do velho continente, a Europa.

As cidades asiáticas Singapura (2a do ranking) e Hong Kong (16a) se destacam principalmente pelos índices de prosperidade financeira. São Paulo aparece em 79o, seguido de Buenos Aires e o Rio de Janeiro como 81o com bons índices ligados ao planeta.

Se pegarmos somente um destes indicadores, como os resíduos, existe um movimento que é o Zero Waste, que busca com que as pessoas, empresas e cidades não enviem nenhum lixo para aterro, que aproveitem o máximo reciclando ou ainda fazendo compostagem.

No Brasil, o movimento Lixo Zero é referência pela mobilização e engajamento de alguns grupos empresariais e cidades. Existe uma lista com todas as Zero Waste Municipalities que estão no plano de zerar os seus resíduos, e um bom exemplo é a cidade de Venlo no sul da Holanda. Desde 2006 tem adotado estes princípios de técnicas do “berço ao berço”, ou seja, reutilizar tudo o que é gerado.

Precisamos ficar atentos não só à grama do vizinho, mas como ele deixa a grama verde. Buscar soluções com nossos governantes, e às vezes não só ficar esperando, se juntar aos vizinhos, às ONGs, associações comunitárias e colocar a mão na massa, ou melhor, na Terra.

Dia da Terra, temos o que comemorar consumindo ainda mais?

Parabéns, Mãe Terra! Felicidade e muitos milênios de vida!

Vamos comemorar com um presente? Que tal uma festa com balões, muita comida e bebida? Ou um daqueles produtos eletrônicos bem bonitos embrulhado em papel celofane brilhante? É assim que pensamos numa festa, certo?

Pois é, dia 22 de abril foi o dia Internacional da Mãe Terra, reconhecido pela Organização das Nações Unidas em 2009. Porém, foi criado em 1970 pelo senador norte americano Gaylord Nelson para criar consciência sobre as questões de poluição, conservação da biodiversidade, desenvolvimento sustentável e pensarmos no impacto do consumo para o meio ambiente.

Se pensarmos nela como um organismo vivo, temos que entender que existe um organismo que está se multiplicando rápido demais, extraindo os seus minerais, usando sua água, aquecendo seu clima e tirando sua cobertura vegetal.

Este organismo chamado ser humano possui 7,3 bilhões de representantes (em 2015) e pode chegar a 10 bilhões em 2050. O problema é exatamente o crescimento exagerado. Há dois mil anos éramos 300 milhões, em 1800 chegamos ao primeiro bilhão, dois bilhões em 1927, três bilhões em 1959 e quatro em 1974. O problema não é estarmos aqui e sim o que precisamos para estarmos aqui.

Antigamente diziam que precisávamos de ar, água, alimento, moradia e vestimenta, segundo as necessidades fisiológicas da pirâmide de Maslow. Mas fomos “evoluindo” nesta pirâmide, buscando segurança, questões sociais e psicológicas, e agora cada dia mais autorrealização. Se pensarmos em todos os habitantes do planeta, a maioria ainda está buscando as necessidades básicas. Isso mostra o primeiro ponto de repensarmos que seus filhos estão sofrendo e sendo tratados desigualmente em suas necessidades.

Para aqueles que já passaram dos pontos básicos agora estão buscando satisfazer a sua autorrealização. Compram ou consomem para poder mostrar status e poder. O problema disso é que para este produto ou serviço ser feito, utilizará “pedaços” da mãe Terra. Segundo o Global Footprint Network (GFN), os “organismos pensantes” utilizam os recursos existentes da nossa mãe Terra que seriam para o ano inteiro em apenas 8 meses. Ou seja, com o atual ritmo de consumo, a demanda por recursos naturais excede a capacidade de reposição da Terra. Sendo assim, dependendo do seu estilo de vida, precisaremos de 1,5 a 3 planetas para sustentá-los.

Que comemoração mais triste!

Não, a ideia é conscientizar que precisamos repensar o nosso consumo, o nosso jeito de produzir energia, de valorizar o que vale a pena para a nossa autorrealização. Entender que o consumo é necessário, porém, com menos impacto social e ambiental. Necessitamos explicar para as marcas, produtos e serviços que a mãe Terra não vai suportar este modelo atual de captação de recursos naturais e descarte. Entender que para a sobrevivência e perenidade destas empresas, os processos e mentalidade precisam mudar, e que com isso os acionistas poderão ter seus retornos mais sustentáveis do ponto de vista financeiro, ambiental e social.

Vida longa à nossa mãe Terra que sempre nos suportou e nos ajudou a evoluir! E que agora consigamos, com esta evolução, devolver o “cheque especial” que estamos emprestando dela e harmonicamente consumir para as nossas necessidades, sejam elas quais forem.

A PME mais sustentável e a Comunidade

Eu já pago impostos da minha empresa, contrato funcionários formalmente, tenho todas as licenças de operação e além de tudo isso tenho que me envolver com a comunidade do entorno? Fazer projetos focados em melhorias para eles? Quantas vezes já não escutamos empresas tradicionais se questionando sobre este tema? E muitas vezes estas ajudam a igreja vizinha, a creche da amiga da esposa ou a festa na escolinha do filho e nem se lembram disso?

Quando pensamos no crescimento sustentável de uma empresa é necessário questionar também o desenvolvimento do seu entorno, estando ela em um bairro misto com residências ou em um bairro específico de comércio ou de indústrias. Seus vizinhos ou comunidade no entorno, precisam ser trabalhados para que os impactos da empresa sejam minimizados, mitigados ou até eliminados.

Quando falamos de uma indústria precisamos pensar em todos os impactos que ela possa causar: barulho, trânsito de veículos e pessoas, poluição dos resíduos, poluição no ar, poluição visual, enfim, tudo o que possa provocar algum tipo de impacto negativo para a vizinhança. Para um comércio ou um escritório esses fatores também serão parecidos, além do aumento de fluxo de pessoas, aumento do lixo, outros serviços virão em função destes estabelecimentos.

Na maioria das vezes, o empreendedor tenta adivinhar quais são os impactos que o seu estabelecimento, indústria ou negócios estão causando. E começa a fazer suposições e analisar todos os seus processos. Isso pode ser o início da análise, mas uma melhor forma de agregar valor a este processo seja pedir sugestões para a comunidade. Sim, fazer uma reunião com o líder do bairro, com os estabelecimentos vizinhos, com a igreja ou clube do lado, por exemplo.

Este canal de comunicação com a vizinhança pode ser uma reunião semestral ou anual, pode ser um e-mail que a empresa disponibiliza para que as pessoas possam escrever suas opiniões, ou senão buscar um representante da comunidade local que será os “ouvidos” para as reclamações e sugestões, e se forem todos estes melhor ainda.

Quem sabe a empresa não pode ajudar a comunidade com algumas questões como melhorias na infraestrutura ou no ambiente local como: melhorias nas habitações, estradas, escolas, creches, hospitais etc. Este relacionamento se dará muito em função do que a empresa quer com este grupo de interesse, ou seja, a comunidade do entorno. Não que a empresa substituirá o governo, mas ela inclusive pode ser um agente de mobilização em conjunto com comunidade local para solicitação de melhorias aos governos locais, dessa forma, somando forças para uma transformação da região.

Lógico que a empresa não conseguirá atender a todas as demandas, até porque o foco destes pequenos e médios empresários será vender mais, sobreviver e crescer. Porém, este tipo de ação, além de garantir o desenvolvimento sustentável agrega valor para a marca e para os produtos / serviços desta empresa. Além disso, geralmente, os funcionários fazem parte deste entorno da empresa, o que faz com que eles venham trabalhar mais motivados e, quem sabe, ainda mais felizes.

*Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor; professor da ESPM; idealizador e presidente do conselho deliberativo da Abraps (Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade); e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. www.marcusnakagawa.com

A economia de água e o marketing social

Em fevereiro de 2003, a maior empresa de alimentos da época, mundialmente famosa, deu início a uma grande campanha de marketing que chamava-se Junta Brasil. Nesta campanha reuniu dois famosos apresentadores de televisão, rivais de audiência, na ocasião, Gugu Liberato e Fausto Silva, para chamar os consumidores para um concurso no qual as pessoas tinham que juntar oito rótulos de embalagens de qualquer produto da marca e concorrer a uma casa por dia até o final do ano.

Este concurso também era veiculado durante a principal novela na época e tinha até um casal de idosos que sofria bullying (na época não era este nome, era agressão mesmo) de sua neta que juntava embalagens para concorrer a uma casa e sair da residência desta neta agressora. As casas eram sorteadas durante os programas de auditório de domingo.

O concurso recebeu ao final um total de 51 milhões de cartas, significando o envio de 408 milhões de comprovantes de compra de produtos e 248 casas foram entregues aos consumidores. E a manutenção da posição de 1o ou 2o lugares no ranking de valor de marca em 96% das categorias nas quais a empresa atuava, sendo que continuaram líderes em 52% delas.

As campanhas de marketing e comunicação se bem pensadas e planejadas podem mobilizar muitas pessoas para comprar produtos, serviços e fazer com que as empresas lucrem com este investimento. Mas e se usarmos estas ferramentas para as questões sociais, ambientais e buscarmos mudanças de comportamento sustentável, também é possível?

Segundo o “papa” do marketing, Philips Kotler, isso é possível sim por meio do marketing social que é o “uso de princípios e técnicas de marketing para influenciar um público-alvo a voluntariamente aceitar, rejeitar, modificar ou abandonar um comportamento em benefício de indivíduos, grupos ou da sociedade como um todo”.

Uma ação realizada há algum tempo numa novela, também da principal emissora do país, fez com que aumentasse a doação de medula óssea em 4.400% de novembro de 2000 a janeiro de 2001, fazendo a média de cadastrados pular de vinte para novecentos por mês. Uma personagem da novela apareceu com leucemia e somente a doação de medula poderia salvá-la. E numa cena comovente que parou o país, esta belíssima atriz raspou as suas lindas madeixas “ao vivo” para poder realizar o tratamento da doença. Alguns capítulos depois encontrou finalmente um doador e viveu “feliz para sempre”.

Mas como podemos viver “feliz para sempre” sabendo que amanhã poderá faltar água para nosso banho matinal ou para escovar nossos dentes? Ou ainda para dar descarga no banheiro? Sabendo que as reservas aquíferas que abastecem muitas cidades não foram gerenciadas de forma planejada ou que a conta de água aumentará significativamente?

Sim, caso não chova o necessário, passaremos por mais uma crise relacionada a algumas necessidades básicas que temos na nossa sociedade moderna, assim como foi a crise energética alguns anos atrás. Podemos fazer algumas danças da chuva, ou qualquer outra mandinga popular. Ou teremos que fazer uma grande economia e mudar o nosso comportamento (alguns já estão tendo que fazer isso forçadamente no interior paulista e algumas regiões metropolitanas de São Paulo).

Temos que diminuir os banhos, dar menos descargas, escovar os dentes de torneira fechada, lavar louça de uma só vez e, de preferência, com um balde, entre outras ações que estamos escutando ou sempre escutamos e nunca prestamos atenção.

E é aí que está o problema, como comunicar, mobilizar e fazer com que esta população mude o comportamento? Na dor ou no amor. Na dor será efetivamente com a falta de água ou com o aumento exacerbado da conta de consumo. No amor poderá ser com campanhas de marketing social incentivando e ensinando a população a diminuir o seu consumo ou ter o seu consumo consciente.

Estou clamando aqui por uma campanha criativa, incentivadora, legal, enfim, que as pessoas realmente participem, que os consumidores de água realmente tenham consciência, sejam eles da classe AAA até a classe C e D.

Algumas campanhas que viraram memes nas redes sociais como o balde gelado na cabeça, a menina menor de idade que ia casar forçada ou o faça xixi no banho da SOS Mata Atlântica podem ser muito bem explorados. No caso da campanha de fazer xixi no banho, esta não teve nenhum investimento em mídia, porém gerou um retorno espontâneo de mais de US$ 20 milhões em mídia, contando aparições do tema em grandes programas de auditórios, reportagens de jornais, internet, mídias sociais, isso tudo no Brasil e internacionalmente. A campanha era exatamente sobre a economia de água, incentivando as pessoas a fazerem xixi no banho para economizar pelo menos uma descarga por dia.

Esperamos que o poder público, os marqueteiros e os publicitários de plantão possam lembrar desta poderosa ferramenta que ativará outras mídias e ações. E que, principalmente, não seja mais uma crise ambiental e de consumo, mas que os aprendizados deste momento prossigam durante muito tempo em nosso país e que continuemos sempre economizando água. Como aprendemos e fizemos com a energia depois dos apagões de anos atrás.

*Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor; professor da ESPM; idealizador e presidente do conselho deliberativo da Abraps (Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade); e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. www.marcusnakagawa.com

A crença na sustentabilidade empresarial e o marketing

A empresa realmente acredita em sustentabilidade ou é apenas marketing? Muita gente é cética sobre o tema, meus alunos, por exemplo, após muitas discussões, começam a entender a necessidade de, ao menos, se questionar. Realmente, a percepção de que as empresas estão utilizando esta “moda” para se diferenciar no mercado é grande. Afirmo: realmente elas estão adicionando mais este valor à sua marca. Essa atitude não é “pecado” tampouco uma “vergonha”, se feita de forma verdadeira e com ações e resultados comprovados.

Porém, usar isso como maquiagem verde, ou seja, dizer que está fazendo algo e não está, passa a ser um problema ético. São práticas ilegais e antiéticas de mercado da mesma forma como é maquiar o balanço contábil, como mentir sobre um benefício técnico de um produto ou como utilizar trabalho escravo.

Analisando outro lado da moeda, existem os céticos ambientais, principalmente ligados às questões do aquecimento global, um dos vilões da sustentabilidade, que comentam que este movimento é feito pelos “melancias”, como no livro “Os melancias: como os ambientalistas estão matando o planeta” (Ed. Topbooks), do jornalista James Delingpole, que diz que as pessoas são verdes por fora e vermelhas por dentro. Ou seja, os “neocomunistas” brigam contra o capitalismo e o consumismo desenfreado e querem um comunismo adaptado considerando o meio ambiente. Ainda classificam as pessoas que estão levando o movimento da sustentabilidade nas empresas, nas escolas, no governo e nas ONG´s como “ecochatos”, “biodesagradáveis” ou ainda “social-boring”.
Tirando os negócios sociais – empresas que já nasceram com este propósito – nas empresas parece que o foco é ainda no tradicional, no status quo, na inovação zero. Realmente, aind
a há muito o que mobilizar e comunicar.

Em junho deste ano, em San Diego, EUA, por exemplo, grandes empresas que, com certeza, têm grandes impactos social, ambiental e econômico, além de ONGs, se reuniram durante o Sustainable Brands, para falar sobre o tema. Quando recebo convites para eventos com este, tenho certeza de que o movimento da sustentabilidade não é só uma marola.

Mas será que estas ações focadas no meio ambiente e no social são somente para empresas gigantescas ou grandes? Absolutamente, não. Existem empresas pequenas como a Barriga Verde, que é uma churrascaria de São Luis (MA), que separa e vende seus resíduos para recicladores, economiza energia e água, e transforma óleo usado de cozinha em sabão e cinzas das churrasqueiras em adubo para a horta. Tenho clareza que estes casos são spots dentro de todo um mar de empresas e ações. Porém, vejo nas salas de aulas que existe um pré-conhecimento sobre o assunto, ainda tímido e sem muito lastro, e este faz sentido para as pessoas.

Seja marketing ou crença nas empresas, a lógica econômica é obter lucro. O movimento da sustentabilidade está aí e faz sentido para as pessoas que a conhecem profundamente. A inteligência está em juntar estas plataformas, que inicialmente parecem contraditórias, e colocar na estratégia da empresa. E ir além, implementar e estar no dia a dia da empresa, das pessoas e dos públicos de relacionamento. Uma certeza eu tenho, o caminho da sustentabilidade é sem retorno e necessário.

*Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor; professor da ESPM; idealizador e presidente do conselho deliberativo da Abraps (Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade); e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. www.marcusnakagawa.com

A PME mais sustentável e o meio ambiente

Parece redundante uma empresa que se diz mais sustentável falar da sua atuação na área ambiental. Entendo isso devido ao fato de a maioria das pessoas somente associar o termo sustentabilidade ao meio ambiente, plantio de árvores, coleta de resíduos, enfim, tudo o que tem a ver com a cor verde.

Sabemos que a sustentabilidade empresarial é muito mais, não podemos esquecer que toda empresa parte das questões econômicas para existir, ou seja, sem a área financeira, uma empresa não é uma empresa. Todavia, obter lucro, buscar uma ótima receita não é tudo em um negócio. No Brasil, quando abrimos uma empresa elaboramos um contrato social mostrando qual é o nosso objetivo de prestar serviço ou produzir e vender produtos para a sociedade. Pois é, às vezes esquecemos que o empreendimento foi criado para satisfazer uma necessidade da sociedade por meio dos produtos e serviços, seja desde uma necessidade básica até uma necessidade de autoestima, como mostra a pirâmide de Maslow.

Porém, esta busca por atender a necessidade não pode impactar negativamente as pessoas ou o meio ambiente em que ela vive. Por isso, uma parte das grandes empresas está se preocupando com este tal tema da sustentabilidade para não agredir a população ou o meio ambiente no seu entorno ou no do fornecedor. E aí que está o ponto para as PMEs e empreendedores de plantão!
Ou seja, esta é a grande oportunidade para que a empresa entre ou permaneça na cadeia de valor de uma grande empresa que se diz mais sustentável.
Como o meio ambiente é o primeiro ponto que é lembrado quando falamos de sustentabilidade, é fundamental que o empreendedor pense e aja focado também no tema. Sabemos que na vida real é muito difícil para uma pequena e média empresa dar foco para um tema que não seja produção, vendas, vendas e vendas. Mas esta ação pode ser vista como um valor agregado que ajudará inclusive nas vendas da maioria dos empreendedores.

Um exemplo é uma empresa familiar de soluções em ponto de vendas chamada MIB Group, que tem seu escritório comercial em São Paulo, o parque gráfico em Cotia e vende para todo o Brasil. Eles começaram com a análise e acompanhamento dos seus dados ambientais como uso da água, da energia, gestão dos resíduos e dos insumos. Ao mesmo tempo fizeram uma parceria com a Fundação S.O.S. Mata Atlântica para o projeto Florestas do Futuro e montaram o projeto Florestas Lamà, que consistia no plantio de árvores a cada venda do Lamà, o totem de papelão de fácil montagem, um dos principais produtos da empresa. O cliente da empresa que comprava o Lamà recebia um certificado mostrando que todo o papelão utilizado foi compensado voluntariamente por meio de plantio de árvores.

Posteriormente a MIB Group tirou o certificado ISO 14001 de gestão do meio ambiente e montou um relatório de ações socioambientais, demonstrando todas as ações realizadas para o meio ambiente e para a sociedade.

Estas ações fazem parte de alguns indicadores de sustentabilidade que podem ser realizados aos poucos pelas empresas. Para o meio ambiente, segundo os indicadores Ethos, pode-se verificar e implementar ações a partir dos seguintes indicadores, respondendo às perguntas:

– Mudanças climáticas: como é a governança das ações em relação às mudanças climáticas na sua empresa? Quais são as adaptações da empresa perante as mudanças climáticas?
– Gestão e impactos ao meio ambiente: Existe um sistema de gestão ambiental? Como é prevenido a poluição/resíduos? Como é o uso e controle de água, energia e materiais utilizados nos processos? É utilizado material direto da natureza/biodiversidade? Como é esta gestão? É feita educação e conscientização ambiental? Como?
– Impacto do consumo: como é o impacto da empresa com o transporte, logística e distribuição? É feita a logística reversa ou recolhimento e destinação correta dos produtos no seu fim de vida?
Pode parecer assustador a quantidade de perguntas para quem está preocupado em pagar os INSS dos seus funcionários em dia. Porém, para buscar entrar numa cadeia produtiva de uma empresa que se diz mais sustentável, ou para ir além de vender produto ou serviço, basta começar com um dos pontos, depois outro, depois outro, e assim por diante. O desafio para o empreendedor é o que o motiva para o sucesso! Já escolheu um deles para começar neste novo ano?

*Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor; professor da ESPM; idealizador e presidente do conselho deliberativo da Abraps (Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade); e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. www.marcusnakagawa.com

Desenvolvimento sustentável das cidades, o que as empresas têm a ver com isso

Trânsito, poluição, violência, falta de árvores e natureza, pouca drenagem de água, falta de saneamento, lixo, problemas, problemas e mais problemas. Este é o dia a dia de um gestor público que busca, por meio de seu trabalho, transformar os impostos da municipalidade, do estado e da instância federal, em uma melhor qualidade de vida para as pessoas dentro do nosso sistema de Welfare State ou Estado Social.
Estes primeiros sinais de políticas sociais que tanto estamos acostumados e culturalmente envolvidos nasceram no final do século XIX após a Segunda Guerra Mundial e os países de destaque foram Inglaterra e Alemanha. É importante saber que esta generalização das políticas de proteção social não tem um único padrão. Os modelos do Welfare State eram adaptados, de acordo com as diferenças econômicas, políticas e culturais de cada país. Assim, consideramos que este conjunto de bens e serviços sociais é o Estado que deve fornecer para cada cidadão, pois ele é o órgão máximo regulador e provedor. Ou seja, estamos acostumados a receber a assistência por somente ter nascidos aqui neste país.

Dentro destes direitos estão todos aqueles serviços que nós brasileiros temos como benefícios, tais como educação em todos os níveis, a assistência médica gratuita, o auxílio ao desempregado, a garantia de uma renda mínima, recursos adicionais para a criação dos filhos, entre outros. Não estou fazendo juízo da qualidade destes, apenas listando. Muitos entendem estes benefícios como um assistencialismo barato que pode ser facilmente manipulado por meio de trocas de favores e “jeitinhos” brasileiros dentro da esfera política. Não questiono o Welfare State, mas sim uma atitude mais proativa de muitos brasileiros que acabam sendo “comprados” por estas facilidades de sobrevida neste nosso planeta.

Acredito sim que muitos destes benefícios trouxeram muita gente para acima da linha da pobreza, dando-os o direto ao acesso ao consumo e, finalmente, a decidir qual marca eleger, sim como se fosse uma eleição para escolhermos em qual marca votar. E aí chegamos no ponto do consumo mais ou menos consciente dentro de cada lar, dentro de cada cidade. Qual marca votar?
Isso mesmo, cada vez que estamos escolhendo um produto ou um serviço, estamos votando e dando credibilidade para uma marca e dinheiro para alguns acionistas que transformam visões e missões em serviços e produtos para utilizarmos, para experimentarmos, para guardarmos ou jogar fora. Estou elegendo uma satisfação pessoal que a marca X ou a marca Y irá me proporcionar e com isso arrisco comprar para atender as minhas necessidades básicas de fisiologia, de segurança ou algo mais aprimorado como necessidades ligadas ao afetivo, a autoestima e a realização pessoal como na pirâmide de Maslow. Esta é a base do consumo, que pode ser consciente ou inconsciente, e em alguns casos inconsequente.

Toda vez que escolhemos um produto ou serviço acabamos impactando diretamente ou indiretamente no planeta, no país, na cidade, no bairro, em casa. Mas o que estou querendo dizer com isso?
Que o consumidor tem que entender quem é esta empresa que está oferecendo estes serviços e produtos. Não podemos, nesta atualidade toda conectada, querer escolher ou votar em uma marca só porque é de menor preço. Sei que, falando em “vida real”, funcionamos na maioria das vezes assim, mas estou propondo um avanço na nossa visão unilateral para uma visão tridimensional. Nesta avaliação de eleição de produtos teremos que ver também, além do financeiro, as questões sociais e ambientais, o famoso Tripé da Sustentabilidade.
As empresas cada vez mais precisam inserir estes dois temas na estratégia de negócios e não apenas deixar como um adendo ou um projeto. Estes dois temas precisam estar no mesmo patamar dos planos financeiro e orçamentos anuais. E assim agregará valor para a marca, deixando ela mais robusta e duradoura.

Uma pesquisa global recente da Nielsen mostra o quanto as pessoas desejam pagar mais por produtos e serviços de empresas comprometidas com a responsabilidade corporativa e a sustentabilidade. Dentre os 30 mil consumidores de 60 países mostra que 55% demonstraram disposição para pagar mais por produtos e serviços que tenham o que eles chamaram de “propósito social”, um avanço em comparação a todas as pesquisas existentes anteriores. E 52% comentaram que compraram ao menos um produto ou serviço de empresa socialmente responsável nos últimos seis meses. Dos 30 mil entrevistados, metade era de idade entre 21 a 34 anos, e estes estão ainda mais propensos a consumir de uma forma mais sustentável, pois 51% deste grupo chega a ler a embalagem e estão dispostos a pagar a mais por estes produtos mais sustentáveis.

Estamos falando de uma nova geração de consumidores que na hora da compra querem buscar saber efetivamente qual o impacto social e ambiental que os processos da empresa, os fornecedores dos fornecedores e os principais públicos de relacionamento (stakeholders) desta empresa estão fazendo.
Ao redor e no campo da interação com o dia a dia tem um espaço chamado cidade que agrupa todos estes atores da sociedade e os seus processos de compra e venda. E neste espaço tem um grupo que foi eleito para tornar este espaço mais agradável e oferecer qualidade de vida para os seus atores, seguindo as premissas do Welfare State.
Este grupo que é responsável por estes espaços de interação entres os vários públicos é o Governo. Ele, juntamente com os verdadeiros cidadãos participativos, tem que entender que crescimento é diferente de desenvolvimento. E não falamos só do desenvolvimento fabril ou social, mas também do desenvolvimento da cidade. As cidades, assim como as empresas, não podem só crescer baseados no per capita arrecadado, como no lucro das empresas, mas sim no desenvolvimento sustentável. Num amadurecimento em lidar com os relacionamentos diários com os vários públicos e atores, criando sistemas de educação e mobilização. E neste ponto as empresas podem ser parceiras para que junto com a população e com outras organizações sejam corresponsáveis por esta empreitada.

Por outro lado, as cidades podem começar a demandar também de seus fornecedores de serviços e produtos atitudes mais sustentáveis – o governo é um dos maiores compradores de produtos e serviços – até chegar numa evolução de selecionar somente organizações que tenham este tema na sua estratégia de negócios. A Rede Nossa São Paulo é um exemplo de um grupo que está propões melhorias, controla e supervisiona as ações do prefeito e da cidade. Além disso, existem vários prêmios e indicadores de cidades sustentáveis como o “Sustainable Cities Awards”, da Austrália, que estimula as cidades daquele país a serem mais sustentáveis. Já na Europa, existe uma plataforma de cidades sustentáveis com vários casos, estudos e exemplos de práticas nas cidades. E também o Global Sustainability Award, que em 2010 elegeu Curitiba como uma cidade mais sustentável, que segundo o júri, por possuir uma “abordagem holística” para encarar os desafios da sustentabilidade. A plataforma brasileira Programa Cidades Sustentáveis também tem vários exemplos de boas práticas e indicadores para os prefeitos e organizações ligadas ao tema. Como exemplo de cidade temos a de Kitakyushu, no Japão, que foi o primeiro município do país a desenvolver o conceito de Eco-Cidade ou de “Visão Verde”, que é um plano de 15 anos para enfrentar as mudanças climáticas e promover o desenvolvimento econômico de San José, sempre buscando a qualidade de vida do cidadão.

E não apenas os grandes, municípios menores como Cotia, podem também estar inseridos neste cenário. Botucatu, que fica a 260 quilômetros de São Paulo, teve o melhor desempenho ambiental em 2012, resultado do esforço conjunto de força pública, privada e contribuintes, sendo a primeira da lista da quarta edição do ranking Município Verde Azul, realizado pelo governo de São Paulo. Cotia tem um grande potencial, pois possui áreas maravilhosas como o Parque Cemucam, áreas verdes dentro dos condomínios, além de fontes, rios e córregos e alguns moradores que têm a consciência e defendem o meio ambiente.

Este é o começo de um pensamento mais sistêmico. E este ponto é a maior dificuldade de tudo. Para organizar nossos conhecimentos fizemos as devidas separações em todos os conceitos que conhecemos. Empresa faz isso, governo faz aquilo, cidadão faz e isso, e assim por diante. Está na hora de começar a quebrar este paradigma linear e de “caixinhas” para um modelo mais sistêmico e orgânico, com um pensamento de rápidas ligações, soluções e implementações. Temos que ter um engajamento maior e cada fazer a sua parte. Sonho um dia poder transformar juntamente com amigos alguma realidade, mas tenho a certeza que isso começa dentro de mim e dentro de cada um para depois expandir e se conectar. Vamos começar esta caminhada rumo ao desenvolvimento sustentável? Está mais do que na hora!

*Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor; professor da ESPM; idealizador e presidente do conselho deliberativo da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade e estilo de vida. www.marcusnakagawa.com