Author Archives: Marcus Nakagawa

Greenwashing e eco-friendly: consistência de ações sustentáveis ou apenas marketing ecológico durante a pandemia?

Greenwashing e eco-friendly: consistência de ações sustentáveis ou apenas marketing ecológico durante a pandemia?

Os termos traduzidos como “lavagem verde” e “amigo do meio ambiente”, em português, já fazem parte do dia a dia de algumas indústrias e, por consequência, da rotina dos especialistas em sustentabilidade

Com a intensificação da pandemia ao redor do mundo, as preocupações ligadas às questões socioambientais aumentaram. Em vista disso, as organizações passaram a se engajar cada vez mais em projetos que visassem o meio ambiente, bem como o ser humano. Dessa forma, as companhias pararam suas esteiras a fim de produzir máscaras, álcool em gel, luvas e até vacinas.

De acordo com a Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), no seu monitor de doações do Covid, foram mais de R$ 6 bilhões, em serviços e produtos doados. Mas será que esse momento de união das marcas são porque acreditam na causa, ou é apenas um mecanismo de induzir os consumidores a comprarem algo que permita menos peso na consciência, afinal a compra do produto “faz bem para o planeta”?

Esta pergunta vem diariamente sendo feita, pois a nova geração gradativamente mais cética em relação às marcas que se dizem abraçar as questões sociais e ambientais, por meio de seus produtos e serviços, vendem para mídia uma imagem, com o objetivo de ganhar reconhecimento do mercado, mas dentro do próprio negócio agem de outra forma. Temos presenciado cada vez mais as pessoas nas redes sociais se aprofundarem em movimentos organizacionais que levantam pautas sobre práticas sustentáveis.

Isso tem crescido a ponto de muitos buscarem adquirir itens apenas de empresas que afirmam gerar impactos positivos para a sociedade e natureza. Prova disso, é a pesquisa Estilos de Vida, de 2019, realizada no Brasil, pela Nielsen. Cerca de 42% dos consumidores brasileiros estão em busca de mudanças quando se trata de seus hábitos de consumo, e 30% dos entrevistados dizem procurar ler os ingredientes que compõe o produto. Os dados revelam também que 58% das pessoas já não compram mais mercadorias que fazem teste em animais e 65% pararam de obter qualquer coisa que esteja associada às questões de trabalho escravo.

Para o especialista em sustentabilidade, professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS), Marcus Nakagawa, este será o futuro e a pandemia veio para reforçar isso.

“Muitas marcas já iniciaram um processo de transformação em seu DNA e agora querem se enquadrar como eco-friendly, ou seja, optam por fontes de energia renováveis, monitoram e controlam com maior precisão o consumo de recursos, escolhem fornecedores reconhecidos por iniciativas de baixa emissão de carbono; fazem coleta seletiva, entre outras ações”, explica.

O conceito e exercício dessas práticas devem ser diários, pois é com esse tipo de atuação que todos perceberão a real intenção de cada organização. Nakagawa afirma, ainda, que o combate é coletivo, mas também individual, por isso, as pessoas têm procurado obter conhecimento, principalmente, agora durante a pandemia, para que narrativas mentirosas não passem mais em branco.

Enquanto isso não acontece em sua totalidade, especialistas em sustentabilidade como Marcus Nakagawa, acompanham criticamente o desenvolvimento destes discursos e movimentos de marketing de causas.

Consumo consciente com impacto da pandemia

Consumo consciente com impacto da pandemia

Temos aprendido muito ao longo desta quarentena, confinados e lidando diariamente com situações internas e externas.

O momento exige reflexão e talvez seja uma oportunidade para as pessoas avaliarem seus comportamentos e suas vontades. Ambas as colocações podem estar ligadas ao consumo, ponto fundamental para mudarmos, se desejarmos, realmente, um mundo mais sustentável.

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A tradicional disputa entre o objetivo econômico e o social

A tradicional disputa entre o objetivo econômico e o social

Neste momento, em que passamos por uma crise mundial de saúde pública e com o isolamento social, muitas reflexões e mudanças estão acontecendo na vida das pessoas e empresas.

Os desafios em meio aos conflitos econômicos e sociais têm feito com que indivíduos e corporações tomem iniciativas que vão contribuir no curto e no longo prazo e quem sabe mudar hábitos e costumes, tanto no âmbito pessoal, quanto no empresarial, e, principalmente, no modo de agir e pensar de cada um.

Nas grandes capitais do Brasil, a maioria das empresas passaram a trabalhar em home office, comércios estão fechados, somente aquele varejo dito fundamental funcionando, escolas e universidade se adaptando para aulas on-line, pequenas e médias empresas se adaptando para sobreviver, profissionais liberais buscando alternativas e apoios governamentais e bancários, empresas gigantes doando de tudo o que se possa imaginar. Nunca a filantropia e o investimento social privado, que tenho chamado de Responsabilidade Social e Ambiental 1.0 (RSA 1.0), foi tão forte e divulgado.

Eu tinha planejado fazer uma lista de atividades das empresas e suas ações beneficentes durante este período para este artigo, mas é quase impossível, pois cada dia recebo de duas a três novas notícias de solidariedade empresarial. Os alunos e alunas me trazem notícias diariamente com estas grandes e médias empresas, sempre com a pergunta: mas professor, eles estão fazendo isso porque acreditam ou porque querem aparecer? Ou é uma estratégia de mercado? E ainda tem muita empresa doando produtos: será que é sampling (distribuir amostra grátis para o futuro consumidor testar)? É por acreditar na melhoria das pessoas ou é simplesmente para ter mais mercado e lucro?

Perguntas que realmente fazem a gente refletir o quanto estas ações são mercadológicas, ideológicas, midiáticas, se são para as empresas se livrarem do estoque, ou filantrópicas e alinhadas com a missão, visão e valores da empresa.

Para ilustrar o quanto já foi doado, a Associação Brasileira de Captação de Recursos (ABCR), no Monitor das Doações da COVID-19, neste início de abril apresentou R$ 1 bilhão de reais doados para enfrentar a pandemia, juntando doações empresariais, pessoais e familiares. Além das várias vaquinhas virtuais e campanhas institucionais de ONGs. Se você analisa a lista, grande parte é de empresas e fundações empresariais. Só um grande banco anunciou esta semana a doação de mais R$ 1 bilhão de reais.

Só para termos uma ideia de valores, o GIFE, associação dos investidores sociais do Brasil, sejam eles institutos, fundações ou empresas, que possui cerca de 160 associados (dados de 2018, os maiores investidores do país), investiu um valor aproximado de R$ 3,24 bilhões. Veja o censo dos associados com todos os dados aqui.

A resposta que dou para essa pergunta dialética – que pode se tratar de causa social ou financeira, “marqueteira” ou solidária, pornográfica ou romântica – é: não importa. Não é hora de polarizar até isso! O que temos que fazer agora é o possível para ajudar as pessoas, temos que mostrar as marcas, os componentes, os potenciais de cada companhia! Temos que fazer a economia e a solidariedade girar.

Um conceito já difundido por John Elkington, há mais de 25 anos, sobre o tripé da sustentabilidade diz: o ambiental, o social e o econômico têm que andar juntos. O pensamento tem que ser sinérgico e não antagônico. Sim, é difícil e para alguns, até utópico pensar neles todos juntos. Tenho vários colegas da área financeira que acham isso uma “viagem” ou uma “brisa” (como dizem os mais novos). Porém, é o novo paradigma que teremos que trabalhar, pesquisar e ao qual devemos nos adaptar. Pois estamos globalizados, ligados uns aos outros e impactando todos a todo momento.

A Rede Brasil do Pacto Global da ONU divulgou uma figura de como crise global da saúde afetará todos os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Pacto Global/Divulgação

Entendo essas relações da figura como mais um desafio para podermos superar, uma forma de termos propósitos e causas (palavras que estão na moda) para as empresas e organizações. Não devemos polarizar e sim usar todo o conhecimento que temos para mudarmos para um pensamento que não seja o lucro pelo lucro, mas sim com um fundamento e impacto positivo socioambiental.

Espero que as empresas comecem a repensar os produtos e serviços para que, efetivamente, tenham um desenvolvimento real da sociedade.

Aproveitemos este momento para refletir e mudar!

Fonte:
https://www.istoedinheiro.com.br/a-tradicional-disputa-entre-o-objetivo-economico-e-o-social/
*Marcus Nakagawa é professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. Autor dos livros: Marketing para Ambientes Disruptivos e 101 Dias com Ações Mais Sustentáveis para Mudar o Mundo (Prêmio Jabuti 2019).
www.marcusnakagawa.com